“Los datos objetivos son como sigue
hay diez
centímetros de silencio
entre tus manos y
mis manos
una frontera de
palabras no dichas
entre tus labios y
mis labios
y algo que brilla
así de triste
entre tus ojos y
mis ojos” – Mario Benedetti – Soledades
Entre
um beijo de despedida e um olhar mascarado eu fiquei. Eu já fiz tantas coisas
que não queria por não conseguir fazer o que queria. E, por causa disso, errei
tanto com você que não sei mais como consertar. Isso justifica minha entrega.
Olho
minhas chances desperdiçadas esparramadas pelo chão. Minha vontade é de me
atirar ao solo, enquanto o que eu deveria mesmo fazer é ressuscitá-las.
Não
posso. São tantos os impedimentos que estagnei, não posso.
Assim,
continuo errando, seguindo a trilha construída pelo medo, que não vai me levar
a lugar algum. Não sei voltar. Não te tenho pra me guiar de volta, mas você
sempre me tem nas mãos.
Estranho.
Injusto. Incoerente. Incompreensível. Inalcançável. Eu não sou fácil, você
muito menos. Isso torna as coisas duplamente mais difíceis por que seu nome é a
palavra mais difícil de dizer e a mais fácil de pensar.
Um
dia nada disso vai fazer mais sentido e estaremos em outros braços, procurando
o que não encontramos entre os nossos. A culpa disso é só minha? É destino?
Eu
só acredito em destino quando tenho que correr dele. Ele nunca aparece quando deve
me levar de volta pra você ou trazer você de volta pra mim.
Num
pedestal platônico eu guardo você, mais uma forma de aguardar você. Aguardar
que meus erros se consertem sozinhos. Aguardar que minhas chances voltem
sozinhas. Aguardar os seus braços quando eu estiver sozinha. Aguardar que o
destino te traga sozinho.