segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Poema 4 ou os papéis que queria rasgar

Espalho papéis contendo desejos
em outra língua sobre minha mesa
estão tão desorganizados
quanto minhas memórias
que tento reunir
inutilmente
neste poema

Sai do fone um som
melancólico de uma banda argentina
que ninguém nunca quis saber
qual era
a não ser lá
na Argentina

Os papéis,
em espanhol,
me informam que sou uma
estranha no próprio ninho
latino-americano
queria por aqui
algumas palavras que me fazem sentir
mas só lembro como escrevê-las
no idioma de Cervantes

Cuántas corazonadas porque
hecho de menos un pasado
que nunca se me ha pasado.
Olho para todos aqueles desejos
nos papéis que não são meus
(nem os desejos nem os papéis)

um dia os colocarei em outro poema

domingo, 26 de outubro de 2014

Poema 3

Morrer de amor é fácil
Escrever um poema no ônibus
sacolejando às 11 da noite
sobre o amor
é que é difícil
O coração partido
tem seus cacos esmagados
pelo corpo abatido
pelo cotidiano
sofridos, coração e corpo,
cansados de baterem sempre

nas mesmas teclas.

domingo, 5 de outubro de 2014


Quando me perguntam
se sou eu aqui nestas linhas
nego
pois realmente não sou eu
Minhas dores
não cabem em versos
desses que a gente faz
às pressas
sem métrica nem rima
As dores que ponho aqui
são recolhidas
pelos caminhos por onde passo
Pode ser que as deixei cair
por distração
Pode ser que eu as tenha roubado
por igual distração
Mas aqui não estou
igual às dores

também não caibo em versos.

domingo, 28 de setembro de 2014

Mudanças

Há um tempo atrás,
quando a vida era doce
eu gostava do sabor do refrigerante,
da groselha e do chocolate.
Hoje o que me agrada
é a cerveja, o café,
o gosto do cigarro na sua boca.
Dos poucos arrependimentos
que carrego comigo
você está no topo
Antes, a vida era doce.
Agora, nesse domingo
acinzentado,
só sinto falta da fumaça
do cigarro saindo da sua boca
amarga

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Respostas

Por quê? Olhava o mar infinito no horizonte e as respostas ecoavam em minha cabeça. “Os olhos da nossa memória veem melhor do que os nossos.” eu vi grafado numa estação de metrô.
Porque eu o quis todos aqueles anos passados e agora que eu pude tê-lo, deixei-o ir. Porque, na verdade, ele nunca tinha sido meu, mas sim das Marianas, Anas, Camilas, Raíssas e Júlias.
Eu fecho os olhos e me lembro dos sussurros, das mãos e da boca que dizia enlouquecidamente o quanto me queria. Demorou para eu entender que não havia amor, só palavras que ele usou para conseguir o que queria.
Eu não sabia fingir até encontrá-lo.
Eu não sabia que alguém podia fingir até encontrá-lo.
Hoje os meus olhos veem mais do que os olhos da minha memória.

domingo, 18 de maio de 2014

Tu olor a cigarro
Tu sabor a sal
Mis ganas de caer
Mis ganas de probarlos

Entre nosotros dos
hay una incalculable distancia
porque no es física
pero destruye como si fuera

Mientras las formas,
la soledad, la melancolía (o el spleen)
llenan mi mente
paso mis días mirando hacia atrás

Esperándote
o esperando que me veas
que percibas que si sonrío
es porque ya me has ganado

Tal como tus miradas
lanzadas como si todo fuera infinito
nunca paso por ti
sin decenas de intenciones

Te eternizo en versos
que se atarán
cuando desatentos
nos atemos los dos

Porque puede ser que hoy estés aquí
y mañana no.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Como me sinto no começo do outono

"Después de la lluvia,
Del perfume de la angustia
Y el sonido del silencio
Que dejás cuando te vas.
Después de no sobrevivir
A las mañanas de ese abril
Nubladas como rotas."
Obsesionario en la mayor - Tan Biónica

Te busco nos bares
te encontro em copos que não esvaziei
Te busco em virtudes
te encontro em defeitos
Não mereço seus pedaços
mas os quero mesmo assim.
Eu que sou um nada
caio num ciclo sem fim
você você você você
Um vazio imenso
que tomou conta de tudo
depois dos abraços sem propósitos
que controlam seus efeitos sobre mim
quanto mais eu corro
mais eles me prendem a você
Caio nas suas palavras
como as folhas no chão
nocauteadas pelo vento
de abril

segunda-feira, 10 de março de 2014

Como eu me sinto depois que chove

Aqui estou frente ao espelho e não é para encontrar algo para me admirar.
Eu mudo uma mecha do meu cabelo do lado direito para o esquerdo e me pergunto: O que ele vê que você não?
Ando me questionando se está por dentro, mas não está, porque ele não seria capaz de enxergar.
Na palma das minhas mãos tenho vestígios que não quero levar.
Minhas lágrimas refletem no espelho tudo aquilo que eu tento esconder de você, mas que ele já viu porque pela primeira vez eu não quis evitar.
Depois que chove, palavras escoam pelos bueiros porque não vêm de onde eu quero que venham.
Depois que chove meu cabelo não fica tão bonito quanto ele diz que está, mas eu sei que você gosta mesmo assim.
Depois que chove fica o cheiro da saudade na grama distante.
Depois que chove eu me escondo em outros braços, temendo que você faça isso também. Que você faça isso de novo.
Depois que chove eu fico mais egoísta.
Depois que chove tudo que nunca foi fácil fica pior pra mim, depois de quando não consigo entender que a única culpa e a única solução pros meus problemas sou eu mesma.
Depois que chove nem no espelho eu consigo me encontrar.

domingo, 2 de março de 2014

Confissões ou Como eu me escondo atrás das palavras

“Los datos objetivos son como sigue
hay diez centímetros de silencio
entre tus manos y mis manos
una frontera de palabras no dichas
entre tus labios y mis labios
y algo que brilla así de triste
entre tus ojos y mis ojos” – Mario Benedetti – Soledades

Entre um beijo de despedida e um olhar mascarado eu fiquei. Eu já fiz tantas coisas que não queria por não conseguir fazer o que queria. E, por causa disso, errei tanto com você que não sei mais como consertar. Isso justifica minha entrega.
Olho minhas chances desperdiçadas esparramadas pelo chão. Minha vontade é de me atirar ao solo, enquanto o que eu deveria mesmo fazer é ressuscitá-las.
Não posso. São tantos os impedimentos que estagnei, não posso.
Assim, continuo errando, seguindo a trilha construída pelo medo, que não vai me levar a lugar algum. Não sei voltar. Não te tenho pra me guiar de volta, mas você sempre me tem nas mãos.
Estranho. Injusto. Incoerente. Incompreensível. Inalcançável. Eu não sou fácil, você muito menos. Isso torna as coisas duplamente mais difíceis por que seu nome é a palavra mais difícil de dizer e a mais fácil de pensar.
Um dia nada disso vai fazer mais sentido e estaremos em outros braços, procurando o que não encontramos entre os nossos. A culpa disso é só minha? É destino?
Eu só acredito em destino quando tenho que correr dele. Ele nunca aparece quando deve me levar de volta pra você ou trazer você de volta pra mim.
Num pedestal platônico eu guardo você, mais uma forma de aguardar você. Aguardar que meus erros se consertem sozinhos. Aguardar que minhas chances voltem sozinhas. Aguardar os seus braços quando eu estiver sozinha. Aguardar que o destino te traga sozinho.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Tu cuerpo es imán que atrae
mis ganas más insanas
tu pupila me distrae
con su mirada lejana

no pude elegir
caí
no puedo surgir
mantenme ahí

un imán en la tormenta
confunde mis polos, ahoga
me puja de forma lenta
¿qué hago ahora?

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Um coração que bate audível
mesmo de longe
Parte de mim partida
Numa sala
Ou saguão

Eu não queria que madrugasse
Você não queria que amanhecesse
Eu corri de novo
São o que as minhas pernas bambas
fazem de melhor

Eu incendeio
Sua memória me apaga
Eu pago pelos anos
que passei sem te falar
pago por tentar apagar

Metade minha aqui
Metade minha lá
Coração que bate fora do peito
Mente que funde ao lembrar

A corrida que mais cansa