terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A professora cheia de provas consigo
espera ansiosamente pelo Natal
invisível
atrás da pilha de coisas a fazer
observa o catador de entulho
que espera ansiosamente pelo Natal
que, se Deus quiser,
trará com o que trabalhar
As mães de Roberto, Júnior, Carlos Eduardo, Wesley e Cleiton
não esperam pelo Natal
no lugar vazio da mesa

lágrimas.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Coleccionadora de postales

Colecciono postales
de lugares adonde fui
esos lugares cuentan
una parte de mi historia
de lo que viví
no sé si voy a regresar
a ellos
regresar es retroceder
y cuando uno vuelve
a ser quien era

casi siempre comete un error

domingo, 15 de novembro de 2015

Aquela noite eu não chorei
Eu só perdi o ar
Perdi as palavras
Perdi o rumo.

Mas aquela noite eu não chorei
Eu só amaldiçoei o destino
Por sempre te colocar no lugar errado
Que é qualquer lugar que eu esteja.

Aquela noite eu não chorei
Porque a culpa é minha
Eu sempre soube
Da nossa incompatibilidade intelectual

Aquela noite eu não chorei
Porque você não merece
Eu te admiro
E ninguém tem culpa disso

Mas eu quis chorar
Quando você disse que
Ia se casar em breve
E a noiva nem se parece comigo

Eu quis chorar e não pude
Porque eu sempre transpareço ser a forte
Exceto quando eu caí aos seus pés
Cansada da correria cotidiana

E você ergueu minha cabeça
Arrumou meu cabelo e me beijou
E aquela segunda não ficou mais
Tão ruim assim

Aquela noite eu chorei
Mas não porque te admiro
Ou porque você vai casar

Mas porque aquela sorte não era minha

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Melancolía resignada

Todos los días quemo
En el infierno de tu olvido
El amor es lindo
Me dijeron
Pero sólo lo encuentro cruel
¿El problema, entonces, es conmigo?

Tengo la convicción
De que me golpeas adrede
Con tus miradas
Nunca sé qué pensar sobre todo
que me hace faltar el aire
¿Qué me sobra?

Las únicas capaces de escucharme
Eran las paredes de mi habitación
Las alejé con mi llanto
Me sobraron dos cosas
Mi sorda soledad
mi compañera desolación

Desde aquel día
Mis malditas ganas de que me halles
Me hagas más tuya que mía
Me derribas para después levantarme
Me hacen sangrar
Malditas ganas de morir así

Me gusta hablar sobre ti
Como si vivieras para atormentarme
Como si fueras el culpable
De mis dudas y fracasos
De mi muerte y me desangre
De mi desencuentro

Y al final
la culpable es mi torpeza
que no me deja ver
que mis desiluciones ya están previstas
que mi destino es ser
esta melancólica resignada.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Es difícil amar


¿Estaré reseco? Sentimentalmente, digo.
Mario Benedetti

        “Es difícil amar.” É o que está escrito numa parede bem na minha frente. Assim, em espanhol, como se o recado fosse mesmo para mim.
        Faz um bom tempo que meu coração não dispara quando ouço uma voz especial. As pessoas se tornaram desinteressantes ou eu perdi a capacidade de amar?
        Um amigo nomeou isso: maturidade. Talvez. Não culpo a falta de tempo por conta do trabalho e dos estudos, há mais de 5 anos convivo de modo pacífico, mas árduo, com os dois. E eu conseguia encaixar os tremeliques de amor no meio dessa bagunça.
        Hoje não mais. Hoje é difícil amar. Ou hoje está difícil amar. E me refiro a amar de qualquer jeito, efêmero, sonhador (daqueles que planejam até a decoração da igreja), racional...
        Talvez eu tenha desaprendido, instintivamente, para evitar decepções. Talvez eu tenha desacreditado tanto, que me livrei das sensações que o amor proporciona. Ou talvez eu nunca tenha amado e a maturidade me fez parar de gastar as batidas do coração com qualquer coisa.
        Na verdade, o mais provável mesmo é que seja mesmo difícil amar e que mesmo com 4 anos e meio de curso superior eu não tenha nem começado a aprender.


sábado, 11 de julho de 2015

Olha só pra mim
eu não esquento mais a cabeça
com coisas intangíveis
com o que escapa do meu controle.
Olha só pra mim
eu quero que se lasque
quem diga que eu tenho que ter
um bom carro, um bom emprego, um bom namorado.
Olha só pra mim
eu tenho o cabelo enrolado
um coração sempre enrolado
a vida enrolada.
Olha só pra mim
parece que um trator
passou por cima dos meus sonhos
mas só parece.
Mas olha bem pra mim
estou cheia de olheiras e contas não pagas
planos de viagens não realizados
amores vividos apenas na minha cabeça.
Olha bem pra mim
estou enrolada
desiludida

mas eu não esquento mais a cabeça

As razões pelas quais eu não acredito no amor

Ou melhor, as razões pelas quais eu não acredito que o amor foi feito para mim.
Já passei noites pensando nisso, atirada na cama, cantando “Por que não eu?” do Leoni e me convenci de que está tudo bem, não sou eu porque não, não nasci para isso.
Eu enxergo amor naqueles casais felizes, alguns efêmeros, mas não menos felizes e os acho bonitos. Eles são como a calça legging de caveiras, bonita, mas nas minhas coxas grossas não ficaria legal. São como as obras da Frida Kahlo, eu jamais vou reproduzir algo parecido. São como a Mercedes Sosa cantando “Gracias a la vida”, eu vejo, eu escuto, mas não é algo para o qual estou capacitada.
Acredito que as pessoas nascem com talentos diferentes. Para a arte, para a costura, para o artesanato, para a escrita, para a música, para os estudos e para o amor. Algumas nascem com vários desses talentos, eu nasci sem o talento para o amor.

Mas é preciso lembrar também que é possível descobrir talentos a qualquer estágio da vida. No fundo do copo (ou do poço, no caso), sempre ficam aqueles cristaizinhos de esperança.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Carlos deixou um cigarro pela metade
Não o traguei
Pedro deixou um livro do Kundera
Ainda não li
Giovani deixou um irmão
Falta-me dizer que não quero
Felipe deixou fotos
Elas cheiram a adolescência
Guilherme deixou um filme da Sofia Coppola
Não entendo de cinema
Nenhum deles levou consigo

um rastro do breve amor.

Sola

Tu cigarro no pudo quemar
las cenizas de mi corazón
estoy sola
de nuevo estoy sola y
enfrento los restos de mí
tirados al frío suelo
sin saber qué hacer.

Dejaste una película
y un libro que no voy a leer
estoy perdida e
intento seguir
viviendo en páginas mal escritas
hasta que se acabe abril

nomás

domingo, 29 de março de 2015

Palavras pesadas

O que eu tenho já
não me podem dar
São minhas estas
Pobres palavras pesadas que
batem na porta da solidão
Tentam mantê-la dentro
Mas solidão não tem lar
O que ela não tem
não lhe podem dar.

O que eu não tenho
não podem tirar de mim
faltam-me certezas
e quem as pode dar
falta-me também
certeza com certeza tem lar

Pobres palavras pesadas
rastejam num lar escuro
querendo flutuar em busca de certezas

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

coleções

Sou uma colecionadora
Coleciono cupons fiscais sem serventia
livros que nunca vou ler
papéis de lugares que visitei
cartões postais
Coleciono coisas que eu não queria
mensagens não respondidas
expectativas não atendidas
dores de amores mal resolvidos
Guardo tudo num canto bagunçado

da estante principal da vida