sábado, 11 de julho de 2015

Olha só pra mim
eu não esquento mais a cabeça
com coisas intangíveis
com o que escapa do meu controle.
Olha só pra mim
eu quero que se lasque
quem diga que eu tenho que ter
um bom carro, um bom emprego, um bom namorado.
Olha só pra mim
eu tenho o cabelo enrolado
um coração sempre enrolado
a vida enrolada.
Olha só pra mim
parece que um trator
passou por cima dos meus sonhos
mas só parece.
Mas olha bem pra mim
estou cheia de olheiras e contas não pagas
planos de viagens não realizados
amores vividos apenas na minha cabeça.
Olha bem pra mim
estou enrolada
desiludida

mas eu não esquento mais a cabeça

As razões pelas quais eu não acredito no amor

Ou melhor, as razões pelas quais eu não acredito que o amor foi feito para mim.
Já passei noites pensando nisso, atirada na cama, cantando “Por que não eu?” do Leoni e me convenci de que está tudo bem, não sou eu porque não, não nasci para isso.
Eu enxergo amor naqueles casais felizes, alguns efêmeros, mas não menos felizes e os acho bonitos. Eles são como a calça legging de caveiras, bonita, mas nas minhas coxas grossas não ficaria legal. São como as obras da Frida Kahlo, eu jamais vou reproduzir algo parecido. São como a Mercedes Sosa cantando “Gracias a la vida”, eu vejo, eu escuto, mas não é algo para o qual estou capacitada.
Acredito que as pessoas nascem com talentos diferentes. Para a arte, para a costura, para o artesanato, para a escrita, para a música, para os estudos e para o amor. Algumas nascem com vários desses talentos, eu nasci sem o talento para o amor.

Mas é preciso lembrar também que é possível descobrir talentos a qualquer estágio da vida. No fundo do copo (ou do poço, no caso), sempre ficam aqueles cristaizinhos de esperança.