sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Es difícil amar


¿Estaré reseco? Sentimentalmente, digo.
Mario Benedetti

        “Es difícil amar.” É o que está escrito numa parede bem na minha frente. Assim, em espanhol, como se o recado fosse mesmo para mim.
        Faz um bom tempo que meu coração não dispara quando ouço uma voz especial. As pessoas se tornaram desinteressantes ou eu perdi a capacidade de amar?
        Um amigo nomeou isso: maturidade. Talvez. Não culpo a falta de tempo por conta do trabalho e dos estudos, há mais de 5 anos convivo de modo pacífico, mas árduo, com os dois. E eu conseguia encaixar os tremeliques de amor no meio dessa bagunça.
        Hoje não mais. Hoje é difícil amar. Ou hoje está difícil amar. E me refiro a amar de qualquer jeito, efêmero, sonhador (daqueles que planejam até a decoração da igreja), racional...
        Talvez eu tenha desaprendido, instintivamente, para evitar decepções. Talvez eu tenha desacreditado tanto, que me livrei das sensações que o amor proporciona. Ou talvez eu nunca tenha amado e a maturidade me fez parar de gastar as batidas do coração com qualquer coisa.
        Na verdade, o mais provável mesmo é que seja mesmo difícil amar e que mesmo com 4 anos e meio de curso superior eu não tenha nem começado a aprender.