¿Estaré
reseco? Sentimentalmente, digo.
Mario
Benedetti
“Es
difícil amar.” É o que está escrito numa parede bem na minha frente. Assim, em
espanhol, como se o recado fosse mesmo para mim.
Faz um bom
tempo que meu coração não dispara quando ouço uma voz especial. As pessoas se
tornaram desinteressantes ou eu perdi a capacidade de amar?
Um amigo
nomeou isso: maturidade. Talvez. Não culpo a falta de tempo por conta do trabalho
e dos estudos, há mais de 5 anos convivo de modo pacífico, mas árduo, com os
dois. E eu conseguia encaixar os tremeliques de amor no meio dessa bagunça.
Hoje não
mais. Hoje é difícil amar. Ou hoje está difícil amar. E me refiro a amar de
qualquer jeito, efêmero, sonhador (daqueles que planejam até a decoração da
igreja), racional...
Talvez eu
tenha desaprendido, instintivamente, para evitar decepções. Talvez eu tenha
desacreditado tanto, que me livrei das sensações que o amor proporciona. Ou
talvez eu nunca tenha amado e a maturidade me fez parar de gastar as batidas do
coração com qualquer coisa.
Na
verdade, o mais provável mesmo é que seja mesmo difícil amar e que mesmo com 4
anos e meio de curso superior eu não tenha nem começado a aprender.