Aqui
estou frente ao espelho e não é para encontrar algo para me admirar.
Eu
mudo uma mecha do meu cabelo do lado direito para o esquerdo e me pergunto: O
que ele vê que você não?
Ando
me questionando se está por dentro, mas não está, porque ele não seria capaz de
enxergar.
Na
palma das minhas mãos tenho vestígios que não quero levar.
Minhas
lágrimas refletem no espelho tudo aquilo que eu tento esconder de você, mas que
ele já viu porque pela primeira vez eu não quis evitar.
Depois
que chove, palavras escoam pelos bueiros porque não vêm de onde eu quero que
venham.
Depois
que chove meu cabelo não fica tão bonito quanto ele diz que está, mas eu sei
que você gosta mesmo assim.
Depois
que chove fica o cheiro da saudade na grama distante.
Depois
que chove eu me escondo em outros braços, temendo que você faça isso também. Que
você faça isso de novo.
Depois
que chove eu fico mais egoísta.
Depois
que chove tudo que nunca foi fácil fica pior pra mim, depois de quando não
consigo entender que a única culpa e a única solução pros meus problemas sou eu
mesma.
Depois
que chove nem no espelho eu consigo me encontrar.
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