segunda-feira, 10 de março de 2014

Como eu me sinto depois que chove

Aqui estou frente ao espelho e não é para encontrar algo para me admirar.
Eu mudo uma mecha do meu cabelo do lado direito para o esquerdo e me pergunto: O que ele vê que você não?
Ando me questionando se está por dentro, mas não está, porque ele não seria capaz de enxergar.
Na palma das minhas mãos tenho vestígios que não quero levar.
Minhas lágrimas refletem no espelho tudo aquilo que eu tento esconder de você, mas que ele já viu porque pela primeira vez eu não quis evitar.
Depois que chove, palavras escoam pelos bueiros porque não vêm de onde eu quero que venham.
Depois que chove meu cabelo não fica tão bonito quanto ele diz que está, mas eu sei que você gosta mesmo assim.
Depois que chove fica o cheiro da saudade na grama distante.
Depois que chove eu me escondo em outros braços, temendo que você faça isso também. Que você faça isso de novo.
Depois que chove eu fico mais egoísta.
Depois que chove tudo que nunca foi fácil fica pior pra mim, depois de quando não consigo entender que a única culpa e a única solução pros meus problemas sou eu mesma.
Depois que chove nem no espelho eu consigo me encontrar.

domingo, 2 de março de 2014

Confissões ou Como eu me escondo atrás das palavras

“Los datos objetivos son como sigue
hay diez centímetros de silencio
entre tus manos y mis manos
una frontera de palabras no dichas
entre tus labios y mis labios
y algo que brilla así de triste
entre tus ojos y mis ojos” – Mario Benedetti – Soledades

Entre um beijo de despedida e um olhar mascarado eu fiquei. Eu já fiz tantas coisas que não queria por não conseguir fazer o que queria. E, por causa disso, errei tanto com você que não sei mais como consertar. Isso justifica minha entrega.
Olho minhas chances desperdiçadas esparramadas pelo chão. Minha vontade é de me atirar ao solo, enquanto o que eu deveria mesmo fazer é ressuscitá-las.
Não posso. São tantos os impedimentos que estagnei, não posso.
Assim, continuo errando, seguindo a trilha construída pelo medo, que não vai me levar a lugar algum. Não sei voltar. Não te tenho pra me guiar de volta, mas você sempre me tem nas mãos.
Estranho. Injusto. Incoerente. Incompreensível. Inalcançável. Eu não sou fácil, você muito menos. Isso torna as coisas duplamente mais difíceis por que seu nome é a palavra mais difícil de dizer e a mais fácil de pensar.
Um dia nada disso vai fazer mais sentido e estaremos em outros braços, procurando o que não encontramos entre os nossos. A culpa disso é só minha? É destino?
Eu só acredito em destino quando tenho que correr dele. Ele nunca aparece quando deve me levar de volta pra você ou trazer você de volta pra mim.
Num pedestal platônico eu guardo você, mais uma forma de aguardar você. Aguardar que meus erros se consertem sozinhos. Aguardar que minhas chances voltem sozinhas. Aguardar os seus braços quando eu estiver sozinha. Aguardar que o destino te traga sozinho.