domingo, 2 de março de 2014

Confissões ou Como eu me escondo atrás das palavras

“Los datos objetivos son como sigue
hay diez centímetros de silencio
entre tus manos y mis manos
una frontera de palabras no dichas
entre tus labios y mis labios
y algo que brilla así de triste
entre tus ojos y mis ojos” – Mario Benedetti – Soledades

Entre um beijo de despedida e um olhar mascarado eu fiquei. Eu já fiz tantas coisas que não queria por não conseguir fazer o que queria. E, por causa disso, errei tanto com você que não sei mais como consertar. Isso justifica minha entrega.
Olho minhas chances desperdiçadas esparramadas pelo chão. Minha vontade é de me atirar ao solo, enquanto o que eu deveria mesmo fazer é ressuscitá-las.
Não posso. São tantos os impedimentos que estagnei, não posso.
Assim, continuo errando, seguindo a trilha construída pelo medo, que não vai me levar a lugar algum. Não sei voltar. Não te tenho pra me guiar de volta, mas você sempre me tem nas mãos.
Estranho. Injusto. Incoerente. Incompreensível. Inalcançável. Eu não sou fácil, você muito menos. Isso torna as coisas duplamente mais difíceis por que seu nome é a palavra mais difícil de dizer e a mais fácil de pensar.
Um dia nada disso vai fazer mais sentido e estaremos em outros braços, procurando o que não encontramos entre os nossos. A culpa disso é só minha? É destino?
Eu só acredito em destino quando tenho que correr dele. Ele nunca aparece quando deve me levar de volta pra você ou trazer você de volta pra mim.
Num pedestal platônico eu guardo você, mais uma forma de aguardar você. Aguardar que meus erros se consertem sozinhos. Aguardar que minhas chances voltem sozinhas. Aguardar os seus braços quando eu estiver sozinha. Aguardar que o destino te traga sozinho.

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