segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Porta-lembranças

Apesar de ser imóvel, de não falar e de não ser capaz de perceber nada, são infinitas as lembranças que um porta-retrato guarda.
Em minha casa há vários deles, todos contando uma história única. Recordações da infância, dos amigos (alguns que desapareceram,outros que prometeram que nunca farão isso), casamentos, festas, “shows” e família.
Eles têm o cheiro do perfume das pessoas, o calor dos abraços, a ternura das palavras ditas e o som das risadas dadas.
Olhá-los, dependendo da foto que neles está, dá saudade, provoca uma sensação de vazio, de certeza de que aquele momento não se repetirá. Mas também preenche com alegria por aquele instante ter existido e sido fotografado.
Um sentimento de proteção bate quando os vejo, porque eles protegem a foto, que me protegem da realidade. Mesmo com a digitalização delas, não vejo uma extinção dos porta-retratos. É que as emoções que eles provocam são insubstituíveis.

sábado, 9 de outubro de 2010

Recado para um coração qualquer

Balance, coração. Oscile, palpite, vibre, sue, bata desritmadamente, enlouqueça, devaneie, enxergue além da verdade, acredite, faça planos, amoleça, esqueça, perdoe, ria. Balance, oscile, palpite, apaixone-se.




Sofra, coração. Chore, perca os sonhos, escureça, endureça, desacredite, parta-se, destrua os planos, enxergue a realidade, enraiveça, brigue, grite. Sofra, chore, perca, decepcione-se.

sábado, 25 de setembro de 2010

A busca

A liberdade é um labirinto sem saída que engana, fazendo-nos sentir livres, enquanto muros e paredes nos rodeiam.

Pode parar a eterna busca por ela, já não há o que conquistar. Aliás, as vitórias são coisas forjadas pra criar uma ilusão de que você é melhor do que o outro ao lado. E você não é.



Quando a solidão sufocar, o choro será o melhor conforto. Ela mostra que a verdade veio à tona e, por causa disso, dispensam sua companhia. Tudo bem, eles são iguais a você, apenas sabem interpretar melhor, sem deixar as máscaras caírem, ganhando, assim, algumas batalhas no jogo da vida. Mas desta brincadeira, ninguém sairá vivo.

Escolhas erradas tiveram como consequência esse cárcere infernal, sem escapatória. Desconhecidas, incoerentes, traidoras, amargas, ou simplesmente escolhas.

Não sei porque, mas quero provas o sabor de ser livre. Saber se é salgado como o choro, assustador como o medo ou se faz brotar um sorriso nos lábios do mesmo jeito que o amor. Quero ter a sensação de sair de pelo menos uma das prisões que me cercam.

Enquanto tramo uma fuga, inspirada em alguns filmes e novelas, divago sobre a aparência da liberdade. Suposições que nunca serão comprovadas. Desculpe, mas ela não deve ser assim.

sábado, 11 de setembro de 2010

Destino

Ela conseguia ver alguns sonhos voando lá fora. Quis atirar-se para resgatá-los. Tarde demais, eles já estavam longe.
Algo chamado destino os atirou quando ventava muito. Abrindo a janela discretamente, pegou todos aqueles planos construídos perfeita e milimetricamente, amassou-os e jogou para que fossem aonde ele e o vento quisessem.
Faltou coragem a ela para gritar, para impedir o maldito de fazer aquilo.
“Ah, mas que pena!” – Lamentou o destino sarcasticamente. – “Você quer seus sonhos de volta? Vá atrás deles!”



Debruçando-se na janela, procurou por um rastro daquelas fantasias, mas a ventania fazia com que os cabelos a cegassem. Um empurrão a fez desequilibrar-se e o vento a puxou para o seu destino.




Depois de quase 7 meses, aqui estou eu de volta.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Parece que...


Só as imagens andam falando por mim, ultimamente.

Não consigo mais escrever e isso tá me sufocando de um jeito que não aguento mais! As férias voaram, por eu estar trabalhando, eu acho.

Eu queria gritar, chorar e tirar tudo isso que eu to sentindo, que eu não sei como se chama, através das palavras.
Mas quem disse que elas saem? Então vou ver se alguma imagem que tenho aqui faz isso.

sábado, 5 de junho de 2010

Faz tanto tempo...

... Que eu não apreço por aqui...
Simplesmente por falta de tempo.
Eu não ando aguentando mais. [resolvi aderir à reforma ortográfica. Afinal, vou ter que usá-la muito na faculdade.]
Não queria que meu blog se transformasse no meu diário, mas não estou com paciência para escrever em papel algo que meus dedos querem gritar.
Eu não consigo nem respirar direito. Os trabalhos acumularam, os fins de semana não estão dando conta e tentar fazer algo depois que chego do trabalho é missão impossível.
E isso vai durar, no mínimo, mais 4 anos e meio.
Então eu tenho que me acostumar e me conformar, acima de tudo. Se eu quero fazer uma faculdade decente e morar sozinha *--* vou ter que fazer esses sacrifícios.
Só espero não olhar pra trás no futuro e pensar: PQP! Perdi minha adolescência!

:D

Agora eu vou tentar escrever algo legível :P

domingo, 14 de março de 2010

Clarice Lispector para começar a semana



"Vou criar o que me aconteceu. Só porque viver não é relatável.Viver não é vivível.Terei que criar sobre a vida." - Clarice Lispector

domingo, 7 de março de 2010

Devuelvemelo ♥



"Te Daría Todo
si el miedo no insistiera en que te vas a ir
te daría todo
si mi alma que ahora es tuya se pudiera ir contigo

Guardo un rayo de esperanza
en el corazón que se revela la razón
y cuando ganan mis sentidos y ese amor infinito
me inunda de ti."


Te daría todo - Dulce María

Pra começar a semana de um jeito bem corno! :D

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Vazio


Só consigo enxergar o vazio dos meus olhos quando olho no espelho.
Vazio de tanto olhar pessoas vazias.
Eu cansei de dramas excessivos e sem motivos. A vida não é uma peça teatral, mesmo que você a fantasie inteiramente, mesmo que ela te faça rir ou chorar.
E quanto mais eu tento enxergar, menos coisa eu vejo. Tudo porque está tudo vazio.
Pode ser que o vazio complete alguém, mas não me completa. Por uma questão de lógica, da minha lógica: se está vazio, nada tem. Se nada tem, não está completo.
Sinto que o sentido foi carregado por um vento cruel chamado destino. Ele escreve e, se quiser, apaga o que escreve. E enquanto fico parada tentando entender, ele passa como uma onda e apaga o que eu escrevi na areia.
Eu sinto falta de algo que preencha.
Eu sinto que sentir falta não fará diferença.
Mas essa minha passividade me sustenta.
E eu prefiro seguir assim.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Last Breath

"I’ll miss the winter, a world of fragile things."

O carro parado à beira de um precipício em uma BR qualquer. Precisava pensar, mas não queria. Estava contente, ainda havia chances de arrependimento.
Sabe o que mais doía? Ela não sabia. Era no coração, mas era indecifrável.
Sorriu. Quem sorri neste tipo de situação?
Resolveu repensar os motivos que a fizeram dirigir até ali, trepidante. Ela não tinha mais um marido, ela não tinha mais um emprego, ela não tinha mais uma vidinha comum, da qual sempre reclamara.
Olhou para as árvores, desejando ter a eternidade delas. Se queria ser eterna, por que raios estava ali, quase jogando seu carro contra um fim imutável?
Chacoalhou a cabeça, tentando reorganizar os pensamentos. Não seria tão covarde, aliás, pagou o pedágio jurando que seria a última nota que gastaria na vida.
Entrou novamente no carro e o ligou. Esvaziou a mente cantando mantras quaisquer, que em sua maioria dizia que a vida não tinha mais lógica. É, ela estava em um beco quase sem saída.
Arrancou com o carro, não em direção ao precipício, e sim seguindo a pista.
Em um lapso de arrependimento, deu ré, rumo à morte sem escapatória. Ouviu sirenes de polícia. E daí que eles iam multá-la?
“Bota na conta do Papa!” – Falou olhando pelo retrovisor. Deus! Aquilo não fazia sentido algum!
E sentiu sua cabeça batendo contra o volante, violentamente. Desacordou.
Enquanto o carro capotava, sentia o sangue quente escorrer da testa, e se aquilo não desse certo? E se ela, como castigo divino, nunca mais pudesse andar?
Não houve tempo de pensar mais nada.
Um barulho de combustão foi ouvido e ela sentia as chamas a queimando. Doeu, mas durou pouco.
E todo sentido que ela estava buscando se esvaiu.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Tempo


O relógio quebrado me dá a sensação de tempo parado. Tempo, tempo, tempo.
Quanto mais, menos. É como um túnel sem fim, sendo coberto por terra: quanto mais se põe, menos se tem.
O tempo parado me deixa pensar, mesmo porque tic tacs me irritam. Pensar, no que pensar? Pensar no que pensar.
Acho incrível a capacidade que uma vírgula e um ponto possuem de transformar as mesmas palavras. Tem gente que chama isso de sentido, eu chamo de idéia. E, como disse Francis Bacon (filósofo inglês): “Triste não é mudar de idéia, triste é não ter idéias para mudar.”
Então mudar o sentido, como quiserem chamar, não é significativo, o que importa é que você tem algo a mudar.
Ok, está ficando revolucionário demais para algo que começou com um relógio quebrado. Era pra eu falar sobre o tempo e não sobre revoltas políticas ou satisfações gramaticais.
Para que serve um relógio que não mede o tempo? Fazendo uma comparação ridícula, é uma xícara medidora sem o fundo, sendo usada para fazer um bolo. Para mim, o relógio é mais útil, me ajuda a controlar meu vício de controlar o tempo. Quanto controle, digo, quanto descontrole!
Ver o tempo passar me deixa em pânico, me faz pensar que meu tempo está passando e meus objetivos estão ficando todos para trás. Eu queria ter mais tempo do que o tempo que eu tenho. Quanta repetição, quanta perda de tempo!
O tempo, em geral, me irrita. Me irrita quando não passa, me irrita mais ainda quando passa rápido. Me irrita porque está fora do meu controle, me irrita porque evidencia, se mostra sempre presente. Me irrita porque, na maioria das vezes, se esquece de me avisar que está passando e que está me deixando para trás, esperando-o.
Injusta eu, que apenas critico este sujeito. O tempo é o melhor remédio para curar algumas dores, mais eficaz que um Prozac ou algo do tipo, como desilusões amorosas, por exemplo. Ele é a borracha que apaga as dores do coração, mas sem apagar as cicatrizes que os golpes deixaram.
O tempo atrapalha, o tempo prega peças, o tempo machuca, o tempo dói, o tempo esquece. O tempo é uma dádiva, o tempo é uma maldição. E, apesar de tudo, eu não consigo viver sem o tempo. E quero viver o tempo que me resta a estar viva.

Ajudando o Meio Ambiente

Fundos escuros fazem o monitor gastar menos energia :D

Atitudes simples que nos ajudam a viver em um mundo melhor \o/
\parei.

Post [?] dedicado à Amandinha, minha amiga ecológica!
"Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre. não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração. não me façam ser quem não sou. não me convidem a ser igual, porque, sinceramente, sou diferente. não sei amar pela metade. não sei viver de mentira. não sei voar de pés no chão. sou sempre eu mesmo, mas com certeza não serei o mesmo pra sempre."

~ Clarice Lispector