quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Frieza

       Uma neblina forte não deixava nada ser visto naquele momento. Mas tudo já tinha passado mesmo. Nada, tudo, momento, passado. Era guiada por esses contrastes. Detestava passividades, mas agia passivamente quando o assunto era saudade. E não daria um passo para correr para os braços dele. Orgulho e cansaço. Cansou-se de falar de amor pra quem não sabia nem sequer amar e orgulhava-se desta atitude. “Superei.” Um sorriso falsamente contagiante tomava sua face. “Não superou não.” Era o que o coração, ou qualquer parte do corpo mais sensata que as cordas vocais, dizia.
       Para entender o que havia acontecido não é necessário ter muita experiência no quesito coração partido, ele a trocou por outras, um prenúncio que ela decidiu não escutar. As cicatrizes no rosto e no ombro direito estavam visíveis, por conta da regata que vestia. Ele a amava, ela podia perceber pelos sms desesperados que vinha recebendo durante as últimas semanas. Doía nela também, mas estava disposta a seguir em frente, para evitar a dor, por mais pavor que tivesse da solidão. Precisava apenas de um tempo para pensar. Sentou-se embaixo de um carvalho castigado pela estação gelada e suspirou, tremendo.
        Ele não sentia tanto quanto parecia naquelas mensagens de texto, o falso drama sempre o acompanhou. Estava no bar com os amigos, tomando a quarta dose de vodka distraidamente, lembrando-se de quando a controlava para que não bebesse demais. Fizeram um pacto: nenhuma gota de álcool os dois beberiam a partir daquela data. Mais uma promessa quebrada, o que àquela altura não significava nada.
       Muitas brigas, cacos de um relacionamento abalado espalhados pelo chão. Explosões de raiva por parte dele e gritos de dor por parte dela. Não devia ter acertado aquele vaso de porcelana em seu ombro, mas era o único jeito de calá-la. Onde estaria agora? Uma ruiva passando o tirou de qualquer pensamento. “Psiu!” – Chamou-a. A ruiva sentou-se a seu lado, enquanto os amigos admiravam a atitude dele. “Que belo par de... Olhos!” – Disse encarando o decote do vestido igualmente vermelho.
       Não demorou muito para que saíssem do bar rumo ao apartamento dele. Esquecera o celular sobre a mesa. O aparelho vibrava sem parar. “Ih, gente! Oito ligações da maluca.” – O menos embriagado falou e os outros começaram a imitá-la. “Que ela fique bem... bem longe da gente, aquela manguaceira!”
       Ela ali. Frio, solidão, desprotegida. A ignorância dele venceu. Desistiu de ligar e de viver também. Sempre dizia que adorava o inverno, deixaria ser levada por ele. O corpo foi encontrado três dias depois.

domingo, 18 de setembro de 2011

Poema em prosa - Bata.

Bata, coração. Mas bata bem devagar. Exato. Lento. Como se estivesse estupefato. Tira essa dor daí de dentro. E bata para ninguém escutar. Bata arrastado, fraco, arrasado.
Como se esta fosse a última vez.
Como se tudo que construiu houvesse tombado.
E, embora se sinta
o                                                              co
Bata lento.


terça-feira, 6 de setembro de 2011

"Hoy no necesito que me digas que todo está bien. Hoy sé quién soy. Perdida en mis recuerdos, por fin me encontré. Y cada despertar es una nueva oportunidad para cambiar el rumbo, para disfrutar la vida. Y cada anochecer es una cita entre misterio y realidad para que no se te olvide soñar. Hoy quiero agradecer por el simple hecho de estar viva y ser parte de la magia que nos rodea en esta extraña realidad..."