domingo, 22 de dezembro de 2013

2013

Se eu tivesse que resumir 2013 em uma frase, seria: Foi oh...
Janeiro e Fevereiro começaram conturbados como sempre... Consegui a proeza de ter 3 empregos ao mesmo tempo e depois não ter nenhum e depois ter um só, ufa!
Fui no show do Kevin Johansen, aquele lindo ♥, com a noooossa Raquel, na exposição fotográfica sobre as relações na América Latina com a amigue e vi uma dúzia de filmes argentinos... ¡Qué viva la América!
Briguei, xinguei, me arrependi, pedi desculpas, ignorei, fui ignorada, não consegui ir ao cinema sozinha, mas em compensação consegui tomar chuva!
Cumpri todas as metas relacionadas à vida acadêmica, inclusive começar uma IC (que estou começando até hoje), mas a vida amorosa vai oooh zzzzzzzzzzz
Fiz as melhores viagens com meus melhores amigos! Morro de saudades de Ipanema (e de pegar 3 ônibus pra chegar até lá sendo que podíamos pegar apenas 1), do pandeiro, de cantar MC Beyoncé até ser odiada por metade da delegação e sim, o Rio merece muito o título de Cidade Maravilhosa.
E São Thomé das Letras... Com tantos misticismos que pode ser que essa viagem nem tenha acontecido. Na verdade, pode ser que ainda estejamos na rodoviária esperando o ônibus. Ter que dividir o chalé com os parentes da Jéssica, andar mil km pra chegar nas cachoeiras, chorar de rir, dividir o “quarto” com as meninas...
Fui pra Paranapiacaba, Pico do Jaraguá, Serra da Cantareira...
Me aproximei e me afastei de várias pessoas. Isso tem mais pontos positivos que negativos.
Tomei 3 antibióticos diferentes e uma benzetacil, aliás, nunca visitei tanto o hospital nem senti tanta dor na vida. Perdi uma tia, levei um susto da minha avó, mas é o ciclo.
Estou no terceiro semestre do ano e me dá tonturas ler textos teóricos. Por conta disso, entro no ônibus/trem/metrô, encosto a cabeça na janela e durmo.
Não foi o melhor ano da minha vida, não foi nem perto disso, mas, até hoje pelo menos, sobrevivi. E devo isso aos meus amigos, os mais lindos do mundo, amo vocês ♥♥

E este texto está cansado, que nem eu. Mas só desejo que 2014 seja incrível pra todo mundo! :]

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Náufraga

Meu pensamento é a frágil rocha na costa
Moldada pela delicadeza da água salgada
Pelo pranto daquela que não sabe aonde vai
Então vai e vem
e vem e vai
vira pó
E mistura-se à clara bruma
para cair de volta no oceano agitado
cansada
Deixa-se ir
À deriva
Volta em repetidos vens
É empurrada por exaustivos vais
No fundo encontram-se todos
pensamento, rocha, pranto, aquela, pó

domingo, 27 de outubro de 2013

Te extraño

Te extraño en versos
no te los mereces
tampoco me los merezco yo
pero te extraño también en prosa

Te extraño cuando oigo
tus canciones preferidas
que se volvieron un poco mías
aunque no lo quería

Extraño cuando me querías
me decías linda
cuando estabas feliz
sólo porque yo también lo estaba

Te extraño pero no lo debería
Es que me gustan las prohibiciones
Me gusta cuando me prohíbes de hablarte
eso me da ganas de buscarte

Te extraño cuando escucho
una canción que dice
que el opuesto de amor
es la indiferencia

Te extraño así
en versos llenos de mediocridad
en versos español

porque los dos aún nos enlazan

O avesso em verso

Tenho medo porque não te tenho
Tenho feridas porque não te tenho
E porque tenho medo não te tenho
E porque não te tenho tenho feridas

Tantas coisas, todas minhas
flutuando em minha volta
por fora
porque não te tenho por dentro

Por você viro ao contrário
me reinvento, aprendo matemática
só pra fazer as contas de quanto tempo ainda tenho
pra ficar aqui de ponta cabeça por você

Tenho certeza de que você
não tem coragem
nem vontade
de fazer tudo isso

Eu sou cheia das certezas
algumas delas foram embora
num sussurro estranho que quer me levar
mas se você pedir, eu fico


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Primeiro relato de um suicida - O ar


        Eu precisava de um lugar para cair. Meus pensamentos atravessavam minha mente e me sacavam as entranhas, levavam meu ar, eu me contorcia de dor. Mas não era dor física.
        “Se você pudesse ser um pássaro, o que você faria?”
        “Deixaria todos os meus dias para trás.”
        Logo eu que sempre fora tão tranquila em relação aos problemas, a seguidora da filosofia “tudo passa”, me via em uma situação insuportável. Eu precisava de um lugar para cair.
        Meus amigos tinham ido por não suportarem minhas opiniões. Minha família já não existia mais. Eu era uma inútil a mais no meu emprego. Minha síndrome do pânico me impedia de sair da rotina. Meu cachorro, cego, não notava mais a minha presença.
20 anos, 10 andares, 5 motivos para eu desistir de tentar. E eu desisti.

Às duas e meia da madrugada, abri a janela da área de serviço. Sentei-me no parapeito e respirei conscientemente pela última vez. Eu me atirei. Eu precisava de um lugar para cair. E caí.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Ping Pong

Ping
Pong
Pingpongueando
Eu aqui
você lá
Pare de me olhar assim
Bate
Rebate
as palavras de volta pra mim
Não sei como manejá-las
Ping
Pong
Pingpongueando
rumos de dois estranhos
que não podiam se conhecer melhor
Distancio-me
Eu bato
Quem está longe enxerga melhor
Você rebate
Quem se importa permanece perto
Fecho os olhos
Ping
Acerto o alvo
Pong
Não é isso que quero ouvir
Fim do set.



quarta-feira, 10 de julho de 2013

Se você me amasse



Se você me amasse
poderíamos fugir para uma ilha deserta
qualquer direção contigo estaria certa
eu jogaria todos os meus planos para o alto
tiraria as joias, o salto
e atrás de você correria com um largo sorriso
você entre os meus braços é o paraíso.

Se você me amasse
deitaríamos um ao lado do outro na areia
sob a luz da lua cheia
contaríamos todas as estrelas do céu
no nosso mar nadariam barquinhos de papel
nas mãos entrelaçadas moraria o calor
e as respirações descompassadas anunciariam o amor

Se você me amasse não ia ter mais nada que temer

Porque não haveria jeito nenhum me perder.

domingo, 30 de junho de 2013

A árvore e a folha

E a folha se desprendeu da árvore. Mas era verão. Caiu ainda verde, não era esperado.
        No começo não fez falta, já que a árvore tinha tantas outras centenas de folhas. Mas depois, chegou o questionamento: o que havia feito ela de errado para justamente aquela folha se desgarrar? A culpa era mesmo dela?
        Sempre que olhava para baixo, a árvore via a folha no chão. No começo, o vento batia no vácuo deixado pela folha e isso incomodava.
Até o dia em que percebeu parte da folha apodrecida e teve vontade de dizer “bem feito”. Mas percebeu também que o outono se aproximava e outras folhas também iriam embora, era natural. Aquela ali no chão só escolheu ir embora mais cedo, sendo assim, cumpriria seu destino mais cedo também.
E árvore ficaria ali de pé, esperando a primavera.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Quem sou eu? O que sou? Do que sou feita?
Sou aquele arrependimento por não ter dito certas palavras nas horas certas.
Sou feita de chão trincado pela secura das atitudes impulsivas, lábios rachados pela frieza dos olhares.
Sou histórias infantis sem final feliz.
Sou feita de mágoas passadas, rancores guardados, lágrimas contadas.
Sou um destino mal escrito, um roteiro mal acabado, uma vida em (um) vão.

Porque não sei quem sou, só sei que sou um punhado de coisas que juntas não caem bem, sucessão de erros cometidos por medo de errar, que carregam uma coletânea de perdas porque tem medo de perder.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Você suspira e diz meu nome e eu quase caio, quase vou ao chão. E algo me segura, porque eu sei que se eu cair ali eu fico, cadê você pra me levantar? Você tá lá, tá lá longe, não me vê, nunca me viu, eu que não quis o seu notar. Porque o seu olhar me atravessa, me avessa, meu avesso, o que eu fiz pra ficar tão presa assim a você? Eu me jogo e depois te jogo, já faz tempo que venho cansando dos jogos, das provocações, mas o que eu faço pra mudar? Algo me segura, eu sou insegura, eu não vou me jogar, eu vou cair, você não vai me levantar, você nunca está nem com as outras, porque estaria comigo? Eu não sou diferente, você não é diferente, nós somos tão iguais, tão desiguais, incompletos que não se completam, NÃO ME DEIXA CAIR! Eu sou tão inconstante, como você me suporta por mais de um instante, eu não sei. Como a gente não se ama, só se  engana.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Ciclo


Enquanto fico aqui
esperando as voltas que a vida dá
me amarro nas correntes do carrossel parado
esperando que ele volte a girar
e me tonteie
me aperte
até que eu perca todo o ar
e caia inconsciente
das coisas que eu não fiz
mas acho que fiz
                         volteie
acorrente                    tonteie
esvazie                      gire
aperte               enforque
                              açoite
Ouço vozes
não são pessoas
o solo se move depressa
são vultos
são gritos
que pedem por socorro
para mim
que de tão incapaz não consigo pedi-lo
Perdi-o
O ar
O vulto
O grito
O giro do carrossel
O

quarta-feira, 3 de abril de 2013

À Macabéa


Tão cheia de um sonho só
Adoçou-o ao ponto de enjoar
Tão sem ambição
É você
Você que me enoja,
meu cabelo na sopa,
uma goiabada com queijo estragado
Você que se doa,
que se dói
que me faz ver que eu também me doo
demais
Que me incomoda
com tantos defeitos que eu não quero enxergar
E mostra que não há aspirina que cure a solidão
Você que me mata a cada dia
mesmo depois de já ter morrido
Que me lembra que minha hora
vai demorar a chegar
Estrela sem brilho algum

segunda-feira, 25 de março de 2013

Carta a alguém que se foi


Hoje eu vivi lembranças só minhas. Nada disso aconteceu, mas eu vi.
Me vi nos seus braços, acolhida em um abraço. Bem provável que você nunca tenha me dado.
Vi olhares se cruzando e congelando, talvez não precisasse ser assim.
Imprecisos.
Nos extrañábamos, em todos os sentidos, mas não (trans)parecia.
Nos perdemos, mas eu não estava nem na metade do caminho.
Eu vi tudo, eu vi tanto. Vi, vi, juro que vivi.
Tanto que até sinto um pouquinho de saudade de escapar de e com você.
É... Aonde você foi que não quis me levar? Pra onde eu mando esta carta se eu não sei onde você tá?

terça-feira, 19 de março de 2013

Poema da(á) saudade


Alguém já te disse que um dia se cansaria e ia?
Pra mim já, e eu ria...
Há verdades que a gente não aguenta escutar
E foge, corre, arruma um jeito de escapar
E escapa e sente falta
Mas não tem problema, saudade não mata
Eu dou um jeito nela, a enforco
Desvio, mudo a rotina, me sufoco
Não se importe
Encaremos os fatos como se encara a morte
Porque foi isso que aconteceu
Não volte mais, não há mais nada seu
Morreu.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Enfim, libertos


        - André, o que é curtir a vida pra você?
        - Ah, sei lá, Clarice. Dar umas voltas por aí, conhecer lugares novos, ficar aqui na beira do mar também é curtir a vida.
        - Sem bebidas, sem nada, né?
        - Sem nada mesmo, nem dinheiro!
        - Nunca pensou em viajar sem sair do lugar, André?
        - Ih, lá vem você com esses papos estranhos.
        - É sério. Tem um lugar aí que...
        - Pode parar, Clarice, você sabe que eu não curto essas coisas.
        - Como você diz que não gosta se nunca experimentou?
        - Não, sem essa.
        - Ok.
        Clarice levantou-se e foi em direção ao centro da cidade.
        - Hey, Clarice, volta aqui! Vai ficar de cu virado porque eu não quero usar essas coisas? Volta aqui!
        Ele saiu correndo atrás dela, que se deixou alcançar.
        - Não, André, eu só vou curtir a vida sozinha!
        - Não vai não, vou com você! Menina louca...
        Foram correndo de mãos dadas até uma casa na Avenida Beira-Mar. Apesar de estar tudo escuro, algumas pessoas reconheceram Clarice. Ela pegou duas bebidas vermelhas e deu um copo para André.
        - Não bebo, Clarice.
        - Essa é bem docinha, é tipo groselha. Bebe, vai! Vai logo, André!
        Dois minutos depois já não havia nada em nenhum dos copos. Eufóricos, os dois dançavam no corredor, completamente descompassados.
        - Não era groselha aquilo, você me enganou. – Ele dizia choramingando e bebendo o segundo copo.
        - Era doce... Doce sim... Agora eu fiquei doce, igual caramelo... Vamos, Dré, isso aqui já deu! Vamos cair fora!
        - Espera, deixa eu terminar minha bebida! Clari... Clari... Você é luz, não me lance à escuridão! Tá de noite lá fora, espera amanhecer...
        - Que péssima ideia te trazer aqui, filósofo pós-anfetamina!
        - Quê? Você me drogou, Clarice? Como você teve coragem? Agora você tem que me proteger, proteger da escuridão...
        - Vamos pra praia, Dré... Vem...
        Os dois estavam ofegantes e andavam sem direção. Os carros pareciam se multiplicar, era impossível atravessar a avenida. Como não enxergavam a cor do farol, decidiram atravessar correndo. Ouviram algumas buzinas, mas conseguiram encontrar a areia de volta.
- “Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.”
- Cala a boca, André! A mocidade não tá perdida!
- É Drummond, Clarice! Me deixa recitar, me deixa viver!
- A gente vai viver e é agora! Olha, um barquinho de madeira!
- Isso deve ter dono...
- Achado não é roubado, quem perdeu é relaxado, vem!
Ela o empurrou para dentro do barco, como estavam tontos, o barco pendeu para o lado direito. Gargalhavam e gritavam, até chamarem atenção das pessoas em volta.
- Hey, vocês dois! Meu barco! Aonde vocês pensam que vão? Voltem aqui!
- Fodeu, Dré, fodeu, rema!
- Não, Clarice, a gente vai ser preso!
- Rema!
Os dois remaram em direção ao alto amar, até caírem exaustos, ele em cima dela.
- Ando tão cansado, Cla...
- Estamos, Dré. Nossa... Você só me chama por apelido quando tá bêbado, drogado, por quê?
- Sei lá... Acho que é porque to meio lento, não consigo completar a palavra.
- Não... É que você se abre mais quando tá fora de si. Confia em mim sempre, não quero ter que ficar te dopando sempre pra isso!
- Você foi uma filha da puta comigo, você sabe que eu não gosto dessas coisas...
- Achei que você tivesse que viver mais.
- Acho que a gente já viveu demais, Clarice.
- E já aguentou coisa demais, problemas demais, preocupações demais... Não vou aguentar até os cinquenta.
- Não vou aguentar até ano que vem.
- Você acha que vinte anos é uma idade boa pra morrer, Dré?
- Acho.
- Vamos tentar?
- Acho que tenho medo.
- Eu também, André, mas se você tentar comigo, acho que não tenho medo.
- E como vai ser?
Eles se sentaram e se encararam.
- A gente se joga aqui, afunda até nossos pulmões se encherem de água.
- Isso deve doer, Cla.
- Não vai doer, Dré. A gente pula no três?
- Tá, a gente pula.
- Um, dois... Pera aí, Dré. A gente não pode ir antes de eu fazer um negócio. Fecha os olhos.
        Ele obedeceu e ela o abraçou, também de olhos fechados.
        - Eu te amo, André. Desde sempre.
        Passando os braços em volta do pescoço dele, ela o trouxe mais para perto e o beijou.
        - Agora a gente pode ir.
- Agora eu não quero mais ir, Clarice. Quero ficar aqui com você.
Beijaram-se de novo, e de novo, e de novo, até se reaproximarem da costa. Largaram o barco num lugar qualquer e saíram a viver.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Última história


Era de madrugada. No quarto 32 um casal, ela, abatida pela doença, aparentava ser muito mais velha do que era realmente. 65 anos e uma espera com semblantes calmos.
Ele sussurrava uma história para ela. Apurei os ouvidos para poder escutar.
          - Lembra, bem, quando a gente se conheceu? Na festa da minha prima, você cercada de amigas e eu sozinho, pra variar, você foi até lá falar comigo, perguntar onde era o banheiro, achando que eu era o garçom. Éramos do mesmo bairro e você nunca tinha reparado em mim. E quando a gente foi acampar com uns amigos lá em Paraty? A gente tinha uns 20 anos, uma sanguessuga grudou no meu pé e eu gritava enquanto você tentava tirar. Até que, com toda calma do mundo, você pediu pra eu segurar na sua mão e apertá-la quando doesse. Naquele momento eu me dei conta de que era você que eu realmente amava.
          Ela o encarou, pedindo pra que continuasse.
          - Mas passaram uns cinco anos pra que a gente engatasse. Por que a gente se enrolou tanto?
          Ele riu e ela abriu os olhos, lutando pra continuar acompanhando.
          - Nesses cinco anos eu quase me casei com a Neide e você nunca disse nada, pior ainda, juntou nós dois! E eu esperando que você me convidasse pra fugir. Pior que isso só quando eu quase perdi você pra aquele cara que lutava sei lá o que, ia ser a maior perda da minha vida.
          Podia-se perceber nela um sorriso leve por debaixo dos aparelhos.
          - Graças a Deus nada disso aconteceu. Nesses quarenta anos que passamos juntos, você me deu as maiores alegrias da minha vida. Te ver de branco, na beira do mar, num casamento nada tradicional, nossos pais quase enfartaram, mas seu sorriso me fez deixar tudo pra lá.  Nunca vou esquecer a primeira vez que peguei nosso filho no colo, seu primeiro choro. Também não vou esquecer a última vez que ele disse “tchau, pai, tchau, mãe”, pra nunca mais voltar. E a gente se perguntava por que perder um filho dói tanto, por que a vida invertia as ordens, se era o pai que devia morrer primeiro? A vida puxou todos os nossos tapetes, mas sempre caímos juntos.
          O quarto voltou a ficar triste.
          - E sempre foi isso que importou. Nossas viagens, nossa ida ao Chile e você brava com meu portunhol, nossos jogos de carta no domingo, as músicas tão diferentes, os livros mais ainda! Eu nunca imaginaria que daria certo com alguém, muito menos com você.
          Ela respirou com força. Queria ouvir até o final, precisava ouvir até o final.
          - Eu sei que não estive presente em todas as horas que deveria, agora eu vejo que queria acordar todos os dias do teu lado, queria ter dito que te amo antes, queria ter tido tua coragem, teu ânimo, queria ter dançado com você em todas as festas, ido com você na montanha-russa daquele parque enferrujado, ter te pedido desculpas em todas as vezes que estive errado, olha pra mim. Segura, aperta minha mão se doer. – A senhorinha olhou e já sem muitas forças apertou a mão do marido. – Eu não sei o que fiz de tão bom pra ter te merecido. Eu não preciso de mais nada nessa vida, eu tive você.
          E tudo ficou estático, os olhares e as linhas no monitor cardíaco, o aperto na mão. Os enfermeiros interromperam o silêncio, cobriram-na e retiraram o senhor dali. Ela levou consigo um adeus e um te amo mortos na garganta, mas vivos nele.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Isso não é um poema, nem eu quero que seja


Corri
Achando que nunca mais olharia para trás
Fechei os olhos
Pra fingir que não podia enxergar
Escapei pelos seus dedos
Inventando mil desculpas
(pra enganar a mim mesma)
Tapei os ouvidos
Com medo de ouvir sua voz dizendo que me amava
(mas como, se era o que eu mais queria?)
Mudei de assunto
Pra tentar despistar meu coração
Pra tentar te fazer desistir de mim
(eu mesma já tinha desistido)
Por não acreditar em mim
Por duvidar de você
Por não saber o que queria
Por ter medo de ter que abrir mão de mim mesma
Por egoísmo
Por medo
Por vergonha
Por insegurança
Por amar de menos
Só por ter medo de amar demais
(quem não tem medo de se jogar no desconhecido?)
Pensei que não pararia nunca
De fugir de você
(por que você não parou de me perseguir?)
Pensando que era passado
Querendo que fosse futuro
Te entreguei de presente
(e te arranquei do meu presente)
E agora é muito tarde pra tentar
Fazer com que isso se pareça um poema
Eu nem quero que seja
No passado ou presente ou futuro
Não quero que nada disso seja
Verdade ou poema 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013


Por que você some? Por que volta? Por que não me deixa aqui só sentindo sua falta? Solta, por que não me ignora? Vai, vai, pode ir só não volta. Mal me acostumo com sua partida e você bate na minha porta. E eu abro, abro tudo, porta, coração e esqueço e não devo. E olhos que se enchem de lágrimas, porque não nos pertencemos, mas mesmo assim você volta. Vai, eu deixo você ir, mas não volta!

Furacões internos


Vem, passa, gira, volta
Pra que tanta revolta?
Por que me mostrar
que eu não entendo nada de demonstrar?
Me atirei em cada passo descontínuo
e agora, como continuo?
Cheia de hiatos assim
Cheia de histórias sem fim
Enfim.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Pare por um segundo e olhe para mim
não vê suas pernas cansadas
de tanto correrem paradas?
Tanta correria sem fim

Olhe para mim e tente me libertar
dessa indecisão estúpida
Mas não pense que é minha culpa
é que eu apenas não sei.

Olhe para mim e para o caminho
que vem sendo construído
Os rumos que tomamos
aonde eles vão nos levar?

Pare por um segundo
Afaste nossas ideologias se lhe convém
O que é o que mostramos perto
do tanto que escondemos?