Ah, mas se eu
pudesse te levar comigo... Te arrastaria a todos os lugares, te faria pensar,
te encheria de ideologias equivocadas, te arrancaria os sapatos importados e os
jogaria longe de nós. Te faria correr pela areia descalço atrás de mim, te
levaria ao mar, ao céu, te faria perder a consciência, impregnaria seu cheiro
em mim. Te faria colecionar sabores, amores, cores, dores... Te arrancaria das
costas todos esses pesos que te fazem curvar, te faria correr atrás de todos os
teus sonhos, te tiraria o medo de arriscar, quebraria a cara contigo se fosse
preciso. Te encheria de mimos, de carinhos, de liberdade, de vontade. Ah, se você
viesse comigo...
terça-feira, 26 de junho de 2012
segunda-feira, 25 de junho de 2012
7 semanas e meia de amor
7 semanas e meia de amor
Eu fui do céu ao inferno
Eu vi durar menos que uma chuva de verão
O que acreditava ser eterno
Amo-te de noite
Amo-te de dia
Desejo-te de todas as formas
Prosa, rima ou poesia
Gritos de raiva, cacos de vidro,
resquícios espalhados pelo chão
Lágrimas insistentes,
tentando rejuntar o coração
Você na sua casa sozinho
eu na minha desacompanhada
Talvez um dos dois
esteja na casa errada
Leve-me ao teu paraíso
Leve-me a qualquer lugar
Prenda-me, solte-me, prenda-me de novo
Abrace-me até que não me sobre mais ar
Tão frio e tão doce
ardiloso e distante
Quero que doa, que incendeie
que dure mais que um instante
Fechei os olhos
Tapei os ouvidos
Para lembrar com ricos detalhes
os momentos já idos
Mas acabou e eu não quis ver
Acabou e não tenho mais sobre o que escrever
domingo, 24 de junho de 2012
Coisas que quero esquecer
Subindo as escadas
do metrô Paulista me lembrei de você e de como você odiava fazer esses passeios
cult comigo. Livrarias, cafés, museus, filmes esquisitos, eu sempre inventava
algo e te obrigava a ser companhia.
Lembrei porque
estou indo na livraria, atrás de um livro pra faculdade e toda vez que fazíamos
isso, gastávamos horas, eu insistia em procurar o livro por contra própria ao
invés de pedir ajuda, só para folhear um por um, enquanto você estava
esparramado nas poltronas da área infantil, querendo me matar.
Lembrei também
porque estou usando o moletom que você me deu, que está até meio gasto de tanto
que uso. Tem um pouco de você nele, é por isso que uso tanto, porque me
acostumei a ter um pouco de você aonde vou.
Nossa, quantas
escadas tem essa estação, né? Quantas vezes te fiz descer aqui, para me
acompanhar em passeatas, te fiz gritar coisas com as quais você nem concordava,
queria a todo custo despertar o revolucionário que (não) havia em você... Você
se irritava quando eu não fazia algo que você queria e ainda por cima
gritava “antes puta que submissa”.
São coisas que quero
esquecer, são coisas que lembram você, que me fazem sofrer e me acorrentar para
não ir correndo atrás de quem me fez tão mal, abrindo mão de todas as promessas
que fiz frente ao espelho.
Me dizia radical,
louca, ideológica, pseudo-intelectual, pseudo-feminista, enchia a boca para
dizer que eu pensava demais, era metódica demais, que eu era independente
demais e não prestava para casar (mas quem te disse que eu queria casar?) me
enchia de adjetivos clichês para criticar minhas atitudes que, está bem,
confesso, também eram um pouco clichês, mas que nunca te machucaram.
São palavras que
quero esquecer, chavões que lembram você, que me fazem sentir náuseas e me
arrepender por ter dito tantas vezes que amava você, que não merecia nada de
mim. Nada. Nem minhas ideias revolucionárias, nem meu radicalismo, nem minhas
explicações filosóficas nem minhas vontades loucas de você.
domingo, 10 de junho de 2012
Muros
Eu
o vi na assembleia. Ele de preto, concordando com o que estava sendo dito. As
inscrições para o segundo bloco de falas abriram e ele correu.
“Derruba,
derruba, derruba o muro, a universidade é de todo mundo.”
Eu
a percebi olhando pra mim, claro que percebi, ela não tirava os olhos, as
amigas falavam algumas coisas, provavelmente comentavam como o cara que tá conduzindo
a assembleia é bonito. Droga, sempre fico nervoso antes de falar.
Olha
lá, olha lá! Ele vai falar! Eu cutuquei as meninas e meus olhos brilharam,
esperando o que viria.
Terminei
minha fala e os aplausos dela eram os mais audíveis. Tudo nela era exagerado, a
risada, o tom de voz, principalmente quando eu estava perto. Os gestos dela
ficavam mais expansivos quando ela me via, mas eu fingia que ela não estava
ali, não conseguia encará-la.
Lembro
do dia em que estava gritando feito retardada na assembleia, pulando e apoiando
os grevistas, ele estava bem na minha frente, mas eu não estava dando a mínima.
Ele sorriu pra mim, me achando uma imbecil de marca maior.
Nunca
sabia de que lado ela estava, acho que nem ela deveria saber. Com o passar das
semanas, a via cada vez menos na faculdade, era normal, a gente desanima mesmo.
Sentia falta de vê-la cantando e dando risada pelo pátio com os amigos.
-
Oi. – Sorriso
-
Oi. – Sorriso maior ainda
-
Complicada essa situação, né?
-
Ô... Mas a reitoria deve atender nossas reivindicações em breve, pelo menos
parte delas.
-
Espero...
-
É...
-
Bom... Eu vou pra biblioteca. Tchau.
-
Tá. Tchau
Decidiram
ocupar o campus e meu coração foi à boca quando escutei que ele estava no meio.
Não podia deixá-lo lá, eu tinha que fazer alguma coisa.
Estávamos
acampados, chovia e fazia frio. Eu não parava de pensar nela um só segundo, mas
não queria que ela estivesse ali comigo, porque estaria colocando-a em risco.
No
dia seguinte, fui ao campus ver a situação. Cenário de guerra. Pichações,
barracas, carteiras espalhadas por todos os lados, fruto de piquetes colocados para
impedir a circulação de funcionários.
Avistei-a
com sua bolsa rosa, olhando cada canto da universidade, impressionada com o que
via. Sei que ela estaria ali, se não fosse tão cheia de medos e incertezas. Ela
saiu pelo portão, passando por mim sem me olhar.
Dez
minutos depois escutei sirenes e observei sete carros da polícia subindo a rua.
Todos pararam em frente à universidade. Não me contive e saí correndo, como se
pudesse evitar o que estava por vir. Era óbvio que isso aconteceria a qualquer
momento. Não queria que ele fosse levado. Parei e fiquei assistindo, com os
olhos marejados. Eram meus colegas sendo levados como criminosos, não entendia
que crime haviam cometido e não tinha coragem suficiente para me unir a eles. A
ele. Que agora era colocado dentro do carro e me olhava. Eu sentia orgulho dele,
eu sentia medo por ele, parecia que eu já tinha visto isso antes. Eu comecei a
chorar.
Vê-la
com a maquiagem borrada e com a cara de terror me fez querer fugir e abraçá-la.
Havia mais de um policial para cada estudante e estávamos todos de cabeça
erguida, mesmo sendo levados como animais ao abatedouro. Ela sentou na mureta e
permaneceu imóvel, apenas as lágrimas escorriam, encarava a viatura em que
estava. Estávamos presos pelo olhar, eu sem esboçar nenhuma reação, ela
parecendo que lhe faltava o ar.
As
viaturas partiram uma a uma, mas a quarta levava meu coração junto. Por temer o
que podia acontecer com ele, não conseguia me mexer, mas tinha que ir para casa.
Esperarei passar o medo, enquanto isso fico aqui, escorada nos muros da
universidade que ele tanto queria derrubar.
Assinar:
Postagens (Atom)