domingo, 12 de fevereiro de 2012

De: Melancolia - Para: ninguém


            A chuva já passou, já pode vir, meu bem. Te espero com o vinho e com o alento.
            Te espero com a luz acesa e a porta trancada. Dê duas batidas, eu abro pra você. A porta e o coração.
            Você vem e a gente vive aquelas paixões loucas que sonhei. Daquelas que arrebatam e que me fazem sair de órbita por semanas.
            Tudo bem pra você se o sofá não for confortável e o assunto variar do culto ao banal em questão de segundos? O café pode ser forte? Você se incomoda se eu abrir as janelas? É que gosto do cheiro da chuva.
            Já pode vir, já não há mais ninguém na rua, ninguém pode te ver (era esse o seu medo?). Te espero com um filme no DVD e com um abraço pronto.
            Te espero com um nó na garganta, com lágrimas querendo escapar dos meus olhos. Com um pressentimento que grita que você não vem e com uma faísca de esperança que me faz... Te esperar.
            O vinho está pela metade, o vento avisa que a chuva pode voltar. Já passa das duas e eu não sei mais se estou sendo controlada pela razão (mas desconfio que não esteja). Ainda te espero sentada no tapete, olhando pra tv desligada.
            Você não vem? O café esfriou, o DVD entrou em stand-by, o abraço foi partido, as lágrimas se libertaram e apagaram a faísca de esperança, o vinho já acabou. Apaguei a luz e tranquei a janela. E o coração também.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Amizades e seus finais


O que leva ao fim de uma amizade? Nunca entendi muito bem como amigos desaparecem. Mágica? Chá de sumiço? Atenção: falo de melhores amigos, não daquele cara que você conheceu no bar, falou sobre Dostoievski, Kant, futebol, mulher e até chegou a discutir qual cerveja era a melhor. Também não falo daquela sua colega de trabalho do escritório, que saía com você toda sexta-feira pra tomar um refri e comer batata no shopping. Falo daqueles que te prometeram, mesmo que mutuamente, às vezes as palavras são desnecessárias, companheirismo, compreensão, apoio, companhia... E que agora aparecem só no facebook e olhe lá.
É bem esquisito alguém íntimo parecer um desconhecido. E dói muito, porque é uma coisa inesperada. Claro que ao final de cada ciclo é natural que cada um siga seu caminho. Mas eu quero abraçar todos e levá-los comigo. O único problema é que muitas vezes os amigos não querem ser abraçados.
A sensação é incômoda e aos poucos atinge seu máximo. É aquele momento em que os dedos procuram o nome da pessoa na agenda do celular.  O efeito passa, seguido da seguinte pergunta: se ele (a) não me procura, por que eu deveria?
Um aniversário sem a mensagem de parabéns, nada de desejos para o ano novo, a sensação de que foi esquecida. Aos poucos a gente parar de se importar tanto com a pessoa. E acaba se esquecendo um pouco dela também, apesar das lembranças permanecerem.
Já não dói tanto, mas a gente sempre vai imaginar quantos outros momentos viveríamos e se aquilo um dia pode voltar a ser a melhor amizade do mundo.