A
chuva já passou, já pode vir, meu bem. Te espero com o vinho e com o alento.
Te
espero com a luz acesa e a porta trancada. Dê duas batidas, eu abro pra você. A
porta e o coração.
Você
vem e a gente vive aquelas paixões loucas que sonhei. Daquelas que arrebatam e
que me fazem sair de órbita por semanas.
Tudo
bem pra você se o sofá não for confortável e o assunto variar do culto ao banal
em questão de segundos? O café pode ser forte? Você se incomoda se eu abrir as
janelas? É que gosto do cheiro da chuva.
Já
pode vir, já não há mais ninguém na rua, ninguém pode te ver (era esse o seu
medo?). Te espero com um filme no DVD e com um abraço pronto.
Te
espero com um nó na garganta, com lágrimas querendo escapar dos meus olhos. Com
um pressentimento que grita que você não vem e com uma faísca de esperança que
me faz... Te esperar.
O
vinho está pela metade, o vento avisa que a chuva pode voltar. Já passa das
duas e eu não sei mais se estou sendo controlada pela razão (mas desconfio que
não esteja). Ainda te espero sentada no tapete, olhando pra tv desligada.
Você
não vem? O café esfriou, o DVD entrou em stand-by, o abraço foi partido, as
lágrimas se libertaram e apagaram a faísca de esperança, o vinho já acabou.
Apaguei a luz e tranquei a janela. E o coração também.