Eu estava
entorpecida pelo álcool e isso me agradava. Anestesiada, tinha a sensação de
que se despencasse, alguém me seguraria.
Procurando
pela pessoa certa no lugar errado, encontraria? Havia tontos e estonteantes ao
meu redor, a luz piscava, impossibilitando-me de enxergar direito quem se
aproximava.
Passei
tantos meses em braços errados que não me importava em perder mais alguns
minutos, meses por que eu quis, eu que sustentei aquilo sozinha, depois da
terceira semana, gostei mais dele do que de qualquer outra coisa, mais dele do
que de mim. E agora eu dançava, sem ritmo nem direção, tentando me encontrar bem
longe de onde havia me perdido.
Músicas
que não faziam sentido, mas a minha vida também não fazia naquele momento.
Tropecei e um braço me impediu de ir ao chão. Segurei-me ali como se fosse a
última oportunidade.
Quando os
olhos se encontram e a música se torna inaudível por conta das batidas do
coração, é sinal de que é hora de voltar para casa. Ou é hora de pegar mais uma
bebida no bar.