domingo, 18 de dezembro de 2011
O que foi 2011 para mim
Pessoas, tempos e lugares - Por Ana Júlia
e que duraram por uma vida
Conheci pessoas por anos
e que duraram até uma noite.
Conheci pessoas que achei que nunca conheceria
Conheci pessoas por um beijo
e que duraram por poucos segundos
Conheci pessoas que nunca me conheceram
Conheci pessoas numa mesa de bar
Num ônibus, no metrô, na chuva
Conheci gente que não falava nada
Conheci gente que falava sobre roupa,
sobre Flamengo, sobre Argentina e restaurante mexicano
Conheci lugares que valiam mais que pessoas
que me acolhiam, me protegiam da chuva
que eram quietos, agitados e os dois ao mesmo tempo.
Conheci a cidade.
Conheci pessoas que nem sabem que as conheci
Conheci gente que ainda não terminei de conhecer
Conheci eu mesma
Com olhos de uma desconhecida.
Conheci o tempo
o tempo que passou
Conheci eu mesma
construindo um novo tempo.
A Ana Júlia escreve essas e otras cositas más no http://othersideaj.blogspot.com/2011/12/pessoas-tempos-e-lugares.html
domingo, 20 de novembro de 2011
Cansaço
domingo, 30 de outubro de 2011
Me ama?
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Trouxe uma carta pra você.
Você disse que não se importava e que nada ia nos separar, que era pra eu ficar tranqüilo (nada mesmo, nem sua mãe escandalizando nossa diferença de dezenove anos de idade), afinal, você já tinha dezoito e sabia se cuidar.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Frieza
domingo, 18 de setembro de 2011
Poema em prosa - Bata.
Como se esta fosse a última vez.
Como se tudo que construiu houvesse tombado.
E, embora se sinta
o co
Bata lento.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
"Hoy no necesito que me digas que todo está bien. Hoy sé quién soy. Perdida en mis recuerdos, por fin me encontré. Y cada despertar es una nueva oportunidad para cambiar el rumbo, para disfrutar la vida. Y cada anochecer es una cita entre misterio y realidad para que no se te olvide soñar. Hoy quiero agradecer por el simple hecho de estar viva y ser parte de la magia que nos rodea en esta extraña realidad..."
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Mar de Amargura
Eu olhava as pessoas em volta e tentava me consolar, mas só me entristecia mais. O pior era ter que fingir que estava tudo bem. É que eu sempre fui assim, dura por fora, mas maria mole por dentro, sempre escondi de todos o que sentia e isso me fez evitar diversas decepções. Menos essa. Decidi, por conta própria, ter meia hora a mais de almoço. Não me importaria em ser recriminada por meu chefe, eu já não tinha perspectiva de vida. Entrei num café e escutei, um pouco que sem querer, uma fala da conversa de duas mulheres que estavam do meu lado. Lembro-me exatamente de quando a morena disse: “Só me senti feliz quando consegui devolver tudo o que ele me fez.”
– Mas e se ele tivesse chamado a polícia, Ma?
– Teria sido melhor, eu passaria menos tempo aqui. Na verdade, seria pior, detesto que interrompam meus planos. Do mesmo jeito que os criei, eu que tenho que terminá-los.
Um tempo depois a empregada dele me ligou, dizendo que pedira demissão, pois o patrão estava insuportavelmente neurótico, não deixava ninguém nem entrar em casa, evitava os parentes e não saía para nenhum lugar, apenas para colocar, e rapidamente, o lixo no cesto de fora. Eu lamentei e disse que era melhor assim, já que ele se recusava a procurar ajuda médica. Desliguei o telefone, caí no chão, contorcendo-me de tanto rir. Não pensei que daria certo logo de cara, foi fácil demais.
Agora só estaria ele em casa, circunstância e local perfeitos para a ação. O plano era simples, porém os materiais seriam difíceis de encontrar. Eu gastaria muito álcool se contornasse toda a casa, então, enquanto eu fazia minha caminhada matinal, passei por um posto de gasolina. A solução estava ali.
Voltei para casa e peguei dois regadores no jardim, calculei que aquela quantidade me bastaria. Fui até o posto, deixando o carro a cinco quadras, e contei a típica história de que havia acabado a gasolina. O frentista ofereceu-se para me acompanhar, mas foi fácil dispensá-lo. Com muito cuidado, coloquei os vasilhames cheios de combustível no automóvel e segui rumo ao mercado. Mais três embalagens de querosene, caixas de fósforo e tudo aquilo ferveria, literalmente! A próxima parada seria a casa dele.
– Até agora eu não acredito... Como você teve coragem, Mari...
– Eu faria outra pergunta... Como ele teve coragem de fazer tudo aquilo comigo?
– Mas ele só terminou o noivado... Não havia necessidade de querer matá-lo! Foi melhor que abandoná-la no altar em pleno casamento!
– Cale-se, Valéria! Ele já paga advogados suficientes para defendê-lo, não precisa de você.
Desci do carro e espalhei primeiramente a gasolina pelo jardim que havia em frente. Por ser uma área estritamente residencial, ninguém me viu. Peguei a querosene e espalhei pelos cantos e nos fundos. As janelas permaneciam fechadas, por conta do medo do cretino. Ele não sabia o quanto estava me ajudando! Eu sorria tanto, que só de lembrar, meu maxilar dói. Uma caixa de fósforos e eu pude ver o fogo crepitando, gerando um ruído muito satisfatório. A porta de madeira foi a primeira a ser destruída, dando passagem para o fogo adentrar. Eu ouvia seus gritos desesperados e tentava imaginar sua face naquele momento.
– Eu vou te matar, sua maluca! – Ele gritou de dentro da casa, enquanto tentava fugir das chamas.
– Não se você morrer primeiro, imbecil! – Eu respondi no mesmo tom.
Os bombeiros chegaram e, junto a eles, a polícia. Eu não tinha como fugir, mas também acho que nem queria. Ajudaram-no a sair do fogaréu e ele se debatia freneticamente, apontando-me e dizendo que eu era a responsável por tudo aquilo.
Prestei depoimento e confessei, afinal, a perícia e os vizinhos, que saíram de suas casas assustados com o fogo, confirmariam meu ato. Eu não tinha pensado nas consequências, mas mesmo assim, não me arrependo de nada até hoje. E posso afirmar que faria tudo de novo, se preciso, mas dessa vez, sem dar chance de escape.
– Então assim você chegou até aqui, certo? – Valéria me perguntou, cautelosa, encarando as grades da cela.
– Foi sim, Val. E acho que não vou sair tão cedo, não é? Mas agora, conte-me a sua história. Como você chegou até aqui?
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Poema vazio - escrito em 2008
domingo, 10 de julho de 2011
Diálogo Cardíaco
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Uma música
Vivemos infinitas risadas, derrubamos milhares de lágrimas juntos e eu precisava dele com uma frequência e uma intensidade indescritíveis. Ele poderia desaparecer da minha vida se quisesse e isso era o que eu mais temia, devido à distância que já nos separava havia alguns meses. Eu sentia falta dos seus abraços diários, do seu sorriso encantador e de suas provocações que me irritavam, mas que me faziam sorrir após breves minutos.
Todos os momentos que passamos juntos queriam sair pela minha garganta em forma de um grito de dor.
Mas eu ainda tinha a esperança de ouvir aquelas cinco palavras que me faziam ter ânimo para enfrentar tudo: Tudo ficará bem, minha querida.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Escolha
Gritava junto com ele, podia ouvi-lo, mas ele não podia ouvi-la.
Tentou sair do céu pelo mesmo lugar que entrou, em vão. Vagou durante horas procurando uma saída, até que alguém a chamou docemente oferecendo ajuda.
Aceitou, era inocente o suficiente para não perceber más intenções. Por isso estava no céu, talvez. O alguém, vestido de vermelho, esticou a mão para puxá-la para baixo. E assim o fez. Em poucos minutos estava frente a frente com seu amado. Que agora gargalhava junto aos outros, sem nenhuma marca das punições.
Tentou abraçá-lo e ele se desfez, tornou-se pó. Desesperou-se e clamou por ajuda divina.
Tarde demais, querida - um coro a colocou a par da situação. Olhou para cima e não conseguiu ver o céu.
Você teve sua escolha, seja bem vinda - o coro cantou. Tinha entendido agora o livre-arbítrio e nada mais lhe restava, a não ser perecer eternamente lá.
sábado, 5 de março de 2011
Pode ser...
domingo, 27 de fevereiro de 2011
La lluvia
Caminhava sob a chuva, sem vontade alguma de voltar para casa. Fariam 6 anos de namoro, caso ele estivesse lá. Felizes, juntos, talvez noivos... Mas há dois anos ele havia desaparecido sem deixar nenhum rastro. E, desde 20 de fevereiro de 2009, a vida deixou de ter sentido para ela.
Já havia doído tanto que a ferida cicatrizara-se sozinha, sem incomodar como antes. Ao invés de chorar descontroladamente ao ver cada coisa que o lembrava, sorria. Deu centenas de sorrisos para esconder milhares de lágrimas.
Buscou dez, vinte, até quarenta razões para ele ter sumido naquele inverno, mas nenhuma tinha senso. Ele não fugiria com outra mulher, não, isso jamais. Acreditava que ele havia sido sequestrado por alguém que não pediria resgate ou que talvez ele quisesse um tempo só para ele. Porém dois anos era tempo demais.
Conheciam-se desde a infância, estudaram sempre juntos, por morarem em cidade pequena. Não se desgrudavam por um só segundo, desde quando eram apenas melhores amigos. Sabiam tudo que se passava com o outro, não havia segredos entre eles.
Tantas promessas feitas para que ele voltasse que nem ela se lembrava de todas. Lembrava-se apenas de sentir falta dele. Cada vez que fechava os olhos, via seus olhos verdes. Guardava na lembrança o último beijo que deram. Cada dia que passava era como se o sol não nascesse. Se ele não estava com ela, ela perdia a essência de ser. E aquele domingo chuvoso acentuava bem isso.
Também poderia ser diferente. Ela poderia ter descoberto uma traição, alguém poderia ter surgido na vida dele ou o amor poderia ter acabado. Ela preferiria que fosse assim, já que teria raiva dele, ao invés de sentir uma saudade incontrolável.
Sentou-se na guia da calçada, cabisbaixa, enquanto sentia a chuva se misturar a suas lágrimas. Fraquejou por não aguentar mais forçar sorrisos. Ele não tinha o direito de fazer aquilo, não com ela. Soluçava cansada de esperar e de inventar desculpas para não continuar sua vida, mesmo após todo esse tempo.
Ignorou quem se sentou ao seu lado, queria que fossem à merda todos os que riam de seu desespero. Um abraço caloroso a envolveu e o choro dele a despertou do transe. A feição era a mesma, exceto pela barba. O perfume ele havia trocado, mas não quis pensar em mais nada e o beijou. As lágrimas de ambos se misturavam aos sorrisos. Parecia até que não se viam há apenas algumas semanas.
“Um dia eu voltaria.” – Ele disse fitando-a.
“Eu nunca duvidei disso.” – Ela respondeu ternamente.
Enquanto a noite caía, aninharam-se nos braços um do outro. As perguntas, provavelmente, não seriam feitas. A felicidade não poderia ir embora outra vez.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Se eu morrer antes de você
"Se eu morrer antes de você, faça-me um favor. Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado. Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe. Se tiver vontade de rir, ria. Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão. Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me. Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam. Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo. Se falarem mais de mim do que de Jesus Cristo, chame a atenção deles. Se sentir saudade e quiser falar comigo, fale com Jesus e eu ouvirei. Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver. 
E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase: ' Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus!' Aí, então derrame uma lágrima. Eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar. E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu. Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus. Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele. E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele. Você acredita nessas coisas? Sim? Então ore para que nós dois vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito. Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. Eu não vou estranhar o céu . . . Sabe por quê? Porque ser seu amigo já é um pedaço dele!"
Vinicius de Moraes
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Casual
O conflito entre razão e emoção. Droga! Isso sempre a atormentava. O coração, a parte idiota, iludida e covarde, buscava sem cessar uma maneira de se entregar totalmente a ele, enquanto a razão se esquivava, lembrando-a de que ela sabia o que aconteceria horas depois.
Ele finge que a ama, ela se entrega e crê. Ele desaparece, sabe-se lá como, e ela se perde pelas ruas, buscando-o. Já havia dois meses que esse jogo de sentimentos começara.
Radial Leste, dezoito horas, ela seguia a pé desde a Móoca, já chegando no Belém. Tanto barulho, tanta solidão, tantas pessoas dentro de tantos carros... Parados. Tanto quanto sua mente, que já desistia de convencer o coração. Andava sem rumo e sua casa estava bem distante dali.
O nome dele ela não sabia, também não sabia nem onde nem se trabalhava. Preferia acreditar que ele era um anjo do amor, ou da dor. E qual é mesmo a linha que separa essas duas sensações? Mas, mesmo sabendo que doeria, aceitou viver assim.
Conheceram-se numa noite na Vila Madalena, Rua Aspicuelta, lembrava-se bem. Ela não gostava de bares ou baladas, mas, após o pessoal do trabalho muito insistir, acabou cedendo. Trocou alguns olhares com ele e, de repente, o garçom lhe entregou um guardanapo com um número de telefone e um recado: “Espero que você me ligue, ou, ao menos, me dê o seu número.” Uma gargalhada histérica de sua colega de trabalho contagiou a mesa e várias gracinhas foram ditas. Na outra mesa, na que ele estava, não foi diferente. O admirador-nem-tão-secreto possuía uma risada doce, quase que infantil, que a fez sorrir discretamente. Mandou de volta seu número pelo garçom, que estava acostumado com este tipo de xaveco.
Já deveria saber que as coisas não funcionam tão bem assim. O primeiro encontro foi uma maravilha e acabou num quarto de um motel que mais parecia um chiqueiro. Na manhã seguinte, estavam apenas o dinheiro e um bilhete escrito às pressas dizendo adeus no criado-mudo. Sentiu sua garganta sufocá-la e algumas lágrimas rolaram por seu rosto. Usada, suja e despenteada. Como se tivesse sido vítima de um estupro concedido. Vítima, só podia ser gozação! O destino e a tal conspiração universal riam. Ela havia procurado isso e não tinha como fugir desse fato. Algo irrefutável.
Remoeu aquela noite por madrugadas inteiras, julgando-se vulgar e desvalorizada. Uma mistura de arrependimento, orgulho e insegurança a fez apagar o número dele de seu celular, caso houvesse algum ímpeto de ligar para ele. Ou caso ele ligasse e ela não quisesse atender.
Um sms foi mandado como pedido desculpas, três semanas depois. Não adiantara ela apagar o número, assim que o viu no visor, sabia quem era. Ele se justificou, dizendo que recebeu uma ligação urgente do irmão e marcou outro encontro. Ela foi, pensando que seria uma boa oportunidade de dar-lhe um tapa na cara. Acabaram no banco de trás do carro, que tinha sido estacionado numa rua deserta, após ele sussurrar que a adorava. Enquanto sua consciência desaprovava a atitude, seu corpo e seu coração agiam, sincronicamente, em concordância.
Ele a deixou no metrô, após ela muito insistir. Não queria que ele soubesse onde ela morava, tinha medo do que aconteceria caso ele subisse em seu apartamento. Tentou ouvir a voz da razão, pelo menos uma vez. Ele sorriu e ela se despediu com um aceno, entrando na estação logo depois.
O mesmo arrependimento bateu à porta. Pensava sobre sua história de amor. Amor? Desta vez o destino gargalhou. Ele nunca diria que a amava e estava na hora de ela escolher se queria viver uma grande história de amor ou apenas umas noites de sexo casual. Deixou que o tempo escolhesse, já que não tinha coragem suficiente para tanto.
Ligou o celular pela manhã, dormia com o aparelho desligado, e se deparou com uma mensagem nova na caixa postal. Discou o número para ouvir o recado a contra gosto, pois seus créditos iriam pelo ralo apenas para ela ouvir mais uma proposta de mudança de plano da operadora. Seus devaneios foram interrompidos por uma voz conhecida, a dele. Dizia para se encontrarem dali a duas semanas. Ela mandou um sms como resposta, agradecendo o convite, mas que não poderia ir por causa de uma festa de família. Na verdade, não queria ir porque estava envergonhada de si mesma.
E um mês depois daquela mensagem na caixa postal, ela deixou de ser orgulhosa e o convidou para ir ao Parque do Ibirapuera. Mentalizou todas as formas que ele diria não, antes de ligar, para não se desiludir, gostava de pensar nas piores possibilidades para evitar uma decepção. No final das contas, ele aceitou e eles combinaram de se encontrar no final da tarde do próximo sábado.
Depois de muito conversarem e por muita insistência da parte dele, terminaram a noite no banco de trás do carro dele de novo. Todas as sensações que ela poderia sentir se misturavam naquele momento fazendo-a perder a consciência do próprio fato de existir. Após vestirem as roupas, ele a deixou no metrô novamente e ela se sentiu mais suja do que na primeira vez que isso ocorreu e prometeu a si mesma que seria a última vez que o veria.
Trocou o número do celular e extinguiu a pequena vida social que tinha. Andava pelas ruas sem saber muito bem aonde ir, depois que saía do trabalho. E pensava nos dois meses que já passaram desde que o conheceu. Limitava-se a apenas visitar alguns parentes aos finais de semana. Uma de suas tias pediu-lhe que fosse ao aeroporto buscar a prima, que vinha da Alemanha, depois de seis meses de intercâmbio, que chegaria no próximo sábado. Cedeu de má vontade.
Quando se deu conta, já era a hora de sair de casa para ir até o aeroporto. Pegou o carro da tia emprestado e foi em direção a Guarulhos. Corria até a portão de desembarque quando viu um vulto conhecido. Ele estava em sua frente e ela não conseguia falar. As pernas tremeram a visão embaçou-se. Não sentia nada além das batidas rápidas do coração e da falta de ar. Sua expressão tornou-se algo vazio e quando ele sorriu o que estava em volta desabou. Queria correr até ele, perguntar aonde e por que ele ia com aquela mala gigante, queria abraçá-lo e marcar outro encontro, queria ir com ele. Ele sorriu e disse que estava indo a Paris. Murmurou que estava atrasado e se afastou depressa, sem ao menos acenar. Ela continuou parada no mesmo lugar, sem enxergar nada ao redor. Lembranças passaram a mil por hora em sua mente e lembrou-se de sua promessa. Aquela não tinha sido a última vez.







