Espalho papéis contendo desejos
em outra língua sobre minha mesa
estão tão desorganizados
quanto minhas memórias
que tento reunir
inutilmente
neste poema
Sai do fone um som
melancólico de uma banda argentina
que ninguém nunca quis saber
qual era
a não ser lá
na Argentina
Os papéis,
em espanhol,
me informam que sou uma
estranha no próprio ninho
latino-americano
queria por aqui
algumas palavras que me fazem sentir
mas só lembro como escrevê-las
no idioma de Cervantes
Cuántas
corazonadas porque
hecho
de menos un pasado
que
nunca se me ha pasado.
Olho para todos aqueles desejos
nos papéis que não são meus
(nem os desejos nem os papéis)
um dia os colocarei em outro poema