Deixe-me aqui,
assim, instável, vulnerável ao mundo, que eu acho que sei me cuidar, minhas
certezas são incertas, minhas atitudes também, mas eu vou tropeçando e
acertando, fazendo mais o primeiro que o segundo, mas olha só, você nunca me
viu caída, não precisa se preocupar, eu aprendi a me erguer sozinha, eu preciso
da tua mão, mas se ela não estiver aqui, tudo bem, eu já aprendi a me virar
assim, eu já cansei de olhar pro lado e perceber que você não está lá, aí eu me
acostumei a estar sem que você esteja, a apostar todas as minhas fichas sabendo
que não terei recompensa, pode até ser que doa, mas a dor não é minha inimiga,
é companhia, não me ponha contra a parede, eu não estou exigindo nada de você,
prefiro que não queira saber nada de mim, deixe-me aqui, assim, como estou,
pode ir, meus caprichos eu mesma os cumpro, minhas crises eu mesma as aguento, eu
sou só um grão de areia, igual a milhares por aí, deixe-me escapar pelos seus
dedos, eu gosto dessa liberdade, veja bem, já passei por muitas tardes sem sol,
você pode roubá-lo de mim, não vai me fazer falta, colora os dias de outras,
vivo bem no preto-e-branco, deixe-me aqui enquanto vejo meu projeto de vida
passar, sou espectadora de mim e prefiro ver esse programa só.
sábado, 14 de julho de 2012
sábado, 7 de julho de 2012
Devaneio um
Você só queria paz
e eu só queria amor (e amar). Um coração sozinho apenas sustenta relações
platônicas e eu corro perigo quando você esconde seus sentimentos.
É perigoso sim, eu
construo emoções sobre areia movediça e projeto um você que tem grandes chances
de existir, só que dentro de outra pessoa, que eu não sei onde está, que eu não
consigo encontrar, porque só tenho olhos pro passado e o passado é você.
Você, que eu tanto
tento deixar pra lá e que se arrasta atrás de mim, enigmático, cheio de
indiretas, contradizendo-se mais a cada atitude (não) tomada.
Falta de atitude
que me esgotou ao ponto de me fazer pó em forma de prosa, que pode ser pra
você, se você quiser assim.
sexta-feira, 6 de julho de 2012
“Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
e as estrelas lá no céu
lembram letras de papel,
quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?”
- Paulo Leminski
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
e as estrelas lá no céu
lembram letras de papel,
quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?”
- Paulo Leminski
domingo, 1 de julho de 2012
Coisas que quero esquecer - Parte 2
Coisas que quero esquecer – Parte 2
“No quiero recordarte más, no me hace bien.”
Descendo
a Rebouças – com seu trânsito infernal – me lembrei de você e de como você
odiava andar de ônibus. Fingia tonturas e enjoos e falava alto o quanto estava
incomodado por estar ali.
Eu
sempre andando por toda cidade sozinha, já que você preferia ficar em casa, com
o ar-condicionado ligado, jogando videogame. Maldito destino, fui me
apaixonar por um autêntico burguês.
Lembrei
porque toca na rádio “Sozinho”, do Caetano, aquele que você só não odiava mais
que ônibus lotado, aquele mesmo, que você dizia que eu só gostava dele porque
faço Letras e é pré-requisito gostar para entrar no curso.
“Fala
que me ama, só que é da boca pra fora.”
Preferia que não
tivesse dito nada. Somos tão diferentes e eu fui a única que não quis enxergar.
Pensei que tivéssemos diferenças que se completassem e não que se excluíssem.
Pensei porque penso demais e ajo de menos e é por isso que ficamos tanto tempo
juntos (pra mim qualquer tempo desperdiçado é muito tempo).
É, realmente o
trânsito nessa cidade está cada dia pior, claro que é mais fácil dizer isso
dentro do carro do seu pai do que dentro do ônibus, mas hoje eu consegui sentar
na janela e você sabe que eu amo devanear quando consigo um lugar aqui. Já
saíram tantas declarações inesperadas só porque eu estava sentada na janela,
né? Pena que eu não sinto mais nada do que disse.
E o que você
respondia? “Louca.” E eu cantava pra você “Loca, me gustás así de loca,
inestable y caprichosa...” E você me mandava parar de idolatrar esses
argentinos babacas, fazendo-me chegar a uma simples conclusão: o único babaca
da história sempre foi você.
Dizia que eu te
diminuía numa tentativa de mascarar uma personalidade manipulada de acordo com
os interesses de quem lhe convinha (nunca com os meus, ainda bem), querendo que
eu me sentisse culpada por não conseguir conversar com você nada além de
assuntos tediosos e rotineiros.
Enquanto balanço as
pernas ansiosa para chegar em casa (que merda, ainda tá no cruzamento com a
Faria Lima) me controlo para não ficar nauseada, única sensação que consigo ter
ao lembrar de você.
Por isso são coisas
que quero esquecer, são músicas, cenários, rotinas que lembram você e lembram em
quantas janelas eu já não me apoiei para não desabar e chorar ali mesmo dentro
do ônibus lotado. Lágrimas que guardei por você não merecer nada que venha de
mim, nem meus passeios loucos, nem meus devaneios loucos nem eu louca, louca
por você.
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