domingo, 30 de outubro de 2011

Me ama?


- Alô?

- Oi, eu sei que é muito tarde, mas você tem que me escutar. É, eu sei que passa das 3 da manhã, mas é que eu bebi demais e arrumei coragem pra dizer tudo que eu devo. Me escuta, não desliga, por favor. Droga, eu não sei nem por onde começar, eu só queria mesmo dizer que te amo e que, depois desses anos todos, eu continuo exageradamente apaixonada por você. É, eu sei que eu nunca disse nada, mas você sempre deixou bem claro que éramos como irmãos e eu sempre quis ser mais que isso, sempre quis ser mulher, ser boa pra você. O que era impossível, olha o tipo de garota que se envolvia com você, era do tipo perfeita, do tipo que te satisfazia de corpo e alma, muito mais corpo do que alma, mas te satisfazia e eu ficava olhando, meio de canto, com o coração destroçado, você se aventurando e no começo eu chorava com raiva de mim mesma por não ser daquele jeito, mas acabei me acostumando, a gente se acomoda a ser o que é, pra evitar sofrer mais do que já tá sofrendo. Pode parecer que não faz muito sentido, que é só um efeito do álcool, aliás, dediquei um copo de hi-fi a você, sei que é o seu drink favorito, eu não queria que nossa amizade tomasse esse rumo, mas eu nunca consegui controlar muito bem minhas emoções, então eu acabei me apaixonando, meti os pés pelas mãos e neguei até o fim que todas aquelas indiretas eram pra você. Imaginei que você sentia ciúmes de mim, imaginei que você tocaria a minha campainha não pra ir pra balada, mas pra me chamar pra um jantar romântico, imaginei que você me abraçaria em noites chuvosas e me mimaria até que eu caísse no sono e o velaria como acontece nos filmes, sabe? Imaginei porque achei que esse era o jeito mais fácil disso se realizar e vi que me tranquei e te tranquei no meu mundo de fantasias. Agora que eu percebi isso, precisava te ligar e te contar. Você ainda tá aí? Você quer me amar?

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Trouxe uma carta pra você.


Oi. Eu trouxe uma carta pra você.
Você disse que não se importava e que nada ia nos separar, que era pra eu ficar tranqüilo (nada mesmo, nem sua mãe escandalizando nossa diferença de dezenove anos de idade), afinal, você já tinha dezoito e sabia se cuidar.
Você disse também que me apoiaria em todos os momentos, como quando eu não passei naquele concurso por dois míseros pontos.
Você prometeu que seria eterno e que cada dia de tristeza ao seu lado seria recompensado com dez de alegria.
Eu nunca soube amar direito, nem demonstrar tudo o que sentia. Você colocava a culpa no meu signo (ah, essa sua mania de interpretar meu mapa astral a cada mudança de Lua...) e na minha infância, mas sempre ria e compreendia, como se pra você bastasse que eu sentisse e mais nada. No fundo eu sabia que você merecia mais do que um “eu te amo”, daquele jeito, meio morno, no final das ligações, só não achava que eu pudesse fazer mais que aquilo.
Seu sorriso me iluminava, seu toque me fazia perder o ar e quando seus braços me envolviam, eu me sentia protegido por completo.
Agora estou só e sem entender muito bem por que você não está aqui comigo. Você foi naquele feriado e agora não vai mais voltar. Você quebrou as promessas e me deixou antes do que havia dito.
Cada segundo sem você dói mais do que eu posso suportar e, mesmo eu não tendo sido o melhor em expressar minhas emoções, eu suplico sua volta (meio cético, você sabe que eu nunca acreditei muito nessas coisas) para Deus ou qualquer um que possa fazê-lo.
Espero que a chuva não borre nem arraste essa carta do seu túmulo. Sinto muito não ter podido dizer tudo isso a tempo. 
Hey, você me deve centenas de dias de alegria. Te amo, pela eternidade.