domingo, 30 de junho de 2013

A árvore e a folha

E a folha se desprendeu da árvore. Mas era verão. Caiu ainda verde, não era esperado.
        No começo não fez falta, já que a árvore tinha tantas outras centenas de folhas. Mas depois, chegou o questionamento: o que havia feito ela de errado para justamente aquela folha se desgarrar? A culpa era mesmo dela?
        Sempre que olhava para baixo, a árvore via a folha no chão. No começo, o vento batia no vácuo deixado pela folha e isso incomodava.
Até o dia em que percebeu parte da folha apodrecida e teve vontade de dizer “bem feito”. Mas percebeu também que o outono se aproximava e outras folhas também iriam embora, era natural. Aquela ali no chão só escolheu ir embora mais cedo, sendo assim, cumpriria seu destino mais cedo também.
E árvore ficaria ali de pé, esperando a primavera.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Quem sou eu? O que sou? Do que sou feita?
Sou aquele arrependimento por não ter dito certas palavras nas horas certas.
Sou feita de chão trincado pela secura das atitudes impulsivas, lábios rachados pela frieza dos olhares.
Sou histórias infantis sem final feliz.
Sou feita de mágoas passadas, rancores guardados, lágrimas contadas.
Sou um destino mal escrito, um roteiro mal acabado, uma vida em (um) vão.

Porque não sei quem sou, só sei que sou um punhado de coisas que juntas não caem bem, sucessão de erros cometidos por medo de errar, que carregam uma coletânea de perdas porque tem medo de perder.