terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Vazio


Só consigo enxergar o vazio dos meus olhos quando olho no espelho.
Vazio de tanto olhar pessoas vazias.
Eu cansei de dramas excessivos e sem motivos. A vida não é uma peça teatral, mesmo que você a fantasie inteiramente, mesmo que ela te faça rir ou chorar.
E quanto mais eu tento enxergar, menos coisa eu vejo. Tudo porque está tudo vazio.
Pode ser que o vazio complete alguém, mas não me completa. Por uma questão de lógica, da minha lógica: se está vazio, nada tem. Se nada tem, não está completo.
Sinto que o sentido foi carregado por um vento cruel chamado destino. Ele escreve e, se quiser, apaga o que escreve. E enquanto fico parada tentando entender, ele passa como uma onda e apaga o que eu escrevi na areia.
Eu sinto falta de algo que preencha.
Eu sinto que sentir falta não fará diferença.
Mas essa minha passividade me sustenta.
E eu prefiro seguir assim.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Last Breath

"I’ll miss the winter, a world of fragile things."

O carro parado à beira de um precipício em uma BR qualquer. Precisava pensar, mas não queria. Estava contente, ainda havia chances de arrependimento.
Sabe o que mais doía? Ela não sabia. Era no coração, mas era indecifrável.
Sorriu. Quem sorri neste tipo de situação?
Resolveu repensar os motivos que a fizeram dirigir até ali, trepidante. Ela não tinha mais um marido, ela não tinha mais um emprego, ela não tinha mais uma vidinha comum, da qual sempre reclamara.
Olhou para as árvores, desejando ter a eternidade delas. Se queria ser eterna, por que raios estava ali, quase jogando seu carro contra um fim imutável?
Chacoalhou a cabeça, tentando reorganizar os pensamentos. Não seria tão covarde, aliás, pagou o pedágio jurando que seria a última nota que gastaria na vida.
Entrou novamente no carro e o ligou. Esvaziou a mente cantando mantras quaisquer, que em sua maioria dizia que a vida não tinha mais lógica. É, ela estava em um beco quase sem saída.
Arrancou com o carro, não em direção ao precipício, e sim seguindo a pista.
Em um lapso de arrependimento, deu ré, rumo à morte sem escapatória. Ouviu sirenes de polícia. E daí que eles iam multá-la?
“Bota na conta do Papa!” – Falou olhando pelo retrovisor. Deus! Aquilo não fazia sentido algum!
E sentiu sua cabeça batendo contra o volante, violentamente. Desacordou.
Enquanto o carro capotava, sentia o sangue quente escorrer da testa, e se aquilo não desse certo? E se ela, como castigo divino, nunca mais pudesse andar?
Não houve tempo de pensar mais nada.
Um barulho de combustão foi ouvido e ela sentia as chamas a queimando. Doeu, mas durou pouco.
E todo sentido que ela estava buscando se esvaiu.