Eu precisava de um lugar para cair. Meus pensamentos
atravessavam minha mente e me sacavam as entranhas, levavam meu ar, eu me
contorcia de dor. Mas não era dor física.
“Se você pudesse ser um pássaro, o que você faria?”
“Deixaria todos os meus dias para trás.”
Logo eu que sempre fora tão tranquila em relação aos
problemas, a seguidora da filosofia “tudo passa”, me via em uma situação
insuportável. Eu precisava de um lugar para cair.
Meus amigos tinham ido por não suportarem minhas opiniões. Minha
família já não existia mais. Eu era uma inútil a mais no meu emprego. Minha
síndrome do pânico me impedia de sair da rotina. Meu cachorro, cego, não notava
mais a minha presença.
20
anos, 10 andares, 5 motivos para eu desistir de tentar. E eu desisti.
Às
duas e meia da madrugada, abri a janela da área de serviço. Sentei-me no
parapeito e respirei conscientemente pela última vez. Eu me atirei. Eu
precisava de um lugar para cair. E caí.
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