terça-feira, 21 de agosto de 2012

Aquela noite


        Eu estava entorpecida pelo álcool e isso me agradava. Anestesiada, tinha a sensação de que se despencasse, alguém me seguraria.
        Procurando pela pessoa certa no lugar errado, encontraria? Havia tontos e estonteantes ao meu redor, a luz piscava, impossibilitando-me de enxergar direito quem se aproximava.
        Passei tantos meses em braços errados que não me importava em perder mais alguns minutos, meses por que eu quis, eu que sustentei aquilo sozinha, depois da terceira semana, gostei mais dele do que de qualquer outra coisa, mais dele do que de mim. E agora eu dançava, sem ritmo nem direção, tentando me encontrar bem longe de onde havia me perdido.
        Músicas que não faziam sentido, mas a minha vida também não fazia naquele momento. Tropecei e um braço me impediu de ir ao chão. Segurei-me ali como se fosse a última oportunidade.
        Quando os olhos se encontram e a música se torna inaudível por conta das batidas do coração, é sinal de que é hora de voltar para casa. Ou é hora de pegar mais uma bebida no bar.

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