sábado, 14 de julho de 2012

Devaneio 2


Deixe-me aqui, assim, instável, vulnerável ao mundo, que eu acho que sei me cuidar, minhas certezas são incertas, minhas atitudes também, mas eu vou tropeçando e acertando, fazendo mais o primeiro que o segundo, mas olha só, você nunca me viu caída, não precisa se preocupar, eu aprendi a me erguer sozinha, eu preciso da tua mão, mas se ela não estiver aqui, tudo bem, eu já aprendi a me virar assim, eu já cansei de olhar pro lado e perceber que você não está lá, aí eu me acostumei a estar sem que você esteja, a apostar todas as minhas fichas sabendo que não terei recompensa, pode até ser que doa, mas a dor não é minha inimiga, é companhia, não me ponha contra a parede, eu não estou exigindo nada de você, prefiro que não queira saber nada de mim, deixe-me aqui, assim, como estou, pode ir, meus caprichos eu mesma os cumpro, minhas crises eu mesma as aguento, eu sou só um grão de areia, igual a milhares por aí, deixe-me escapar pelos seus dedos, eu gosto dessa liberdade, veja bem, já passei por muitas tardes sem sol, você pode roubá-lo de mim, não vai me fazer falta, colora os dias de outras, vivo bem no preto-e-branco, deixe-me aqui enquanto vejo meu projeto de vida passar, sou espectadora de mim e prefiro ver esse programa só.

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