No
auge dos meus dezoitos anos e seis meses, eu me vejo capaz de refletir sobre a
vida. Parece pouco, mas quero pelo menos registrar o que acho nesse momento,
pra poder resgatá-lo aos trinta e seis anos, ou para esquecê-lo até mesmo
antes.
Já
percebi que amizades não duram pra sempre, pelo menos não com a mesma
intensidade. Culpa minha, que mudo constantemente, até mesmo sem perceber,
culpa do destino, que me coloca sempre em lugares nos quais nunca imagino que
estarei e me faz mudar, por questões de adaptação e sobrevivência.
Por
falar em destino, aprendi que só entendo o que ele faz anos depois. E que isso
é ruim, porque me entristeço com as coisas e pessoas que ele tira da minha vida
e, apesar de enxergar que foi melhor assim, sempre quero voltar atrás e viver o
contrário.
Os
amores? Num total de incontáveis, todos não correspondidos (até onde eu sei).
Tenho um medo ridículo de assumir meus sentimentos e pago caro por esse
comportamento. Percebi que isso não é exclusividade minha e que dói, dói
bastante.
Meus
pais? Me amam e me apoiam, do jeito deles. Tenho acordos mútuos com eles, me
excluo e me calo em segredos às vezes e em outras tagarelo e falo coisas que
não interessam. Adoro falar sobre história, literatura, política (apesar das
diferenças extremas entre nossos pensamentos nesse assunto, a eterna luta
direita versus esquerda), geografia e tudo que é chato e acadêmico com meu pai,
que parece uma enciclopédia ambulante.
Com a minha mãe os assuntos giram entre família, esmaltes e culinária e
meus planos para o futuro próximo.
Amores,
aflições, dores, alegrias, futuro distante, viagens, interesses e maquiagem?
Amigos. O número de amigos mais próximos é quase igual ao de amigas. A cada
amigo eu confio mais uma coisa do que a outro, deve ser uma estratégia pra não
ter os segredos revelados. Meus amigos homens são meus heróis, são os que me
salvam da melancolia, os que sempre me escutam e os que mais me causam dor
quando perco o contato com eles. Minhas amigas mulheres são minhas confidentes
e com elas posso ser retardada e infantil, sem medo de julgamento, as que sabem
como eu estou mesmo sem eu falar nada. Sinto ciúmes de todos eles, às vezes,
apesar disso ser ridículo. Mas acho que é por causa do amor que sinto.
As únicas duas coisas que eu e meus irmãos temos em comum são o nome do pai na
certidão de nascimento e no RG e o elemento água no signo. Cresci longe deles e
hoje moro em frente. Não temos nenhum tipo de convivência, mas isso não me
entristece, acho que é melhor até. Vejo meus amigos e seus irmãos, vejo meus
pais e meus tios e definitivamente não tenho irmãos, na prática.
Tenho
que assumir que gosto mil vezes mais da minha família por parte de mãe e que
meus primos dessa parte da família são uma das melhores coisas que tenho na
vida. Meus primos por parte de pai são legais, mas não passa disso, assim como
todos dessa parte.
A
faculdade é uma fábrica de loucos, os loucos mais maravilhosos do mundo. Espero
manter as amizades que fiz no primeiro ano e que nenhum amigo meu desista do
mundo mágico das Letras. E espero também que seja um período inesquecível e que
eu esteja fazendo a coisa certa.
Acho que esgotaram as coisas sobre as quais
eu queria refletir. E espero que a vida não esgote minhas possibilidades por
enquanto.
Se você chegou até aqui sem bocejar, parabéns! Hahaha
Um texto muito pessoal, assim como a retrospectiva, fugindo um pouco da linha do blog, mas queria um lugar pra guardar isso e ver no futuro se algo mudou (espero que a parte dos amores mude)e me achar tola, imatura e imbecil. É isso.
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