quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Reflexão


No auge dos meus dezoitos anos e seis meses, eu me vejo capaz de refletir sobre a vida. Parece pouco, mas quero pelo menos registrar o que acho nesse momento, pra poder resgatá-lo aos trinta e seis anos, ou para esquecê-lo até mesmo antes.
Já percebi que amizades não duram pra sempre, pelo menos não com a mesma intensidade. Culpa minha, que mudo constantemente, até mesmo sem perceber, culpa do destino, que me coloca sempre em lugares nos quais nunca imagino que estarei e me faz mudar, por questões de adaptação e sobrevivência.
Por falar em destino, aprendi que só entendo o que ele faz anos depois. E que isso é ruim, porque me entristeço com as coisas e pessoas que ele tira da minha vida e, apesar de enxergar que foi melhor assim, sempre quero voltar atrás e viver o contrário.
Os amores? Num total de incontáveis, todos não correspondidos (até onde eu sei). Tenho um medo ridículo de assumir meus sentimentos e pago caro por esse comportamento. Percebi que isso não é exclusividade minha e que dói, dói bastante.
Meus pais? Me amam e me apoiam, do jeito deles. Tenho acordos mútuos com eles, me excluo e me calo em segredos às vezes e em outras tagarelo e falo coisas que não interessam. Adoro falar sobre história, literatura, política (apesar das diferenças extremas entre nossos pensamentos nesse assunto, a eterna luta direita versus esquerda), geografia e tudo que é chato e acadêmico com meu pai, que parece uma enciclopédia ambulante.  Com a minha mãe os assuntos giram entre família, esmaltes e culinária e meus planos para o futuro próximo.
Amores, aflições, dores, alegrias, futuro distante, viagens, interesses e maquiagem? Amigos. O número de amigos mais próximos é quase igual ao de amigas. A cada amigo eu confio mais uma coisa do que a outro, deve ser uma estratégia pra não ter os segredos revelados. Meus amigos homens são meus heróis, são os que me salvam da melancolia, os que sempre me escutam e os que mais me causam dor quando perco o contato com eles. Minhas amigas mulheres são minhas confidentes e com elas posso ser retardada e infantil, sem medo de julgamento, as que sabem como eu estou mesmo sem eu falar nada. Sinto ciúmes de todos eles, às vezes, apesar disso ser ridículo. Mas acho que é por causa do amor que sinto.
As únicas duas coisas que eu e meus irmãos temos em comum são o nome do pai na certidão de nascimento e no RG e o elemento água no signo. Cresci longe deles e hoje moro em frente. Não temos nenhum tipo de convivência, mas isso não me entristece, acho que é melhor até. Vejo meus amigos e seus irmãos, vejo meus pais e meus tios e definitivamente não tenho irmãos, na prática.
Tenho que assumir que gosto mil vezes mais da minha família por parte de mãe e que meus primos dessa parte da família são uma das melhores coisas que tenho na vida. Meus primos por parte de pai são legais, mas não passa disso, assim como todos dessa parte.
A faculdade é uma fábrica de loucos, os loucos mais maravilhosos do mundo. Espero manter as amizades que fiz no primeiro ano e que nenhum amigo meu desista do mundo mágico das Letras. E espero também que seja um período inesquecível e que eu esteja fazendo a coisa certa.
     Acho que esgotaram as coisas sobre as quais eu queria refletir. E espero que a vida não esgote minhas possibilidades por enquanto.


Se você chegou até aqui sem bocejar, parabéns! Hahaha
Um texto muito pessoal, assim como a retrospectiva, fugindo um pouco da linha do blog, mas queria um lugar pra guardar isso e ver no futuro se algo mudou (espero que a parte dos amores mude)e me achar tola, imatura e imbecil. É isso.

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