
O relógio quebrado me dá a sensação de tempo parado. Tempo, tempo, tempo.
Quanto mais, menos. É como um túnel sem fim, sendo coberto por terra: quanto mais se põe, menos se tem.
O tempo parado me deixa pensar, mesmo porque tic tacs me irritam. Pensar, no que pensar? Pensar no que pensar.
Acho incrível a capacidade que uma vírgula e um ponto possuem de transformar as mesmas palavras. Tem gente que chama isso de sentido, eu chamo de idéia. E, como disse Francis Bacon (filósofo inglês): “Triste não é mudar de idéia, triste é não ter idéias para mudar.”
Então mudar o sentido, como quiserem chamar, não é significativo, o que importa é que você tem algo a mudar.
Ok, está ficando revolucionário demais para algo que começou com um relógio quebrado. Era pra eu falar sobre o tempo e não sobre revoltas políticas ou satisfações gramaticais.
Para que serve um relógio que não mede o tempo? Fazendo uma comparação ridícula, é uma xícara medidora sem o fundo, sendo usada para fazer um bolo. Para mim, o relógio é mais útil, me ajuda a controlar meu vício de controlar o tempo. Quanto controle, digo, quanto descontrole!
Ver o tempo passar me deixa em pânico, me faz pensar que meu tempo está passando e meus objetivos estão ficando todos para trás. Eu queria ter mais tempo do que o tempo que eu tenho. Quanta repetição, quanta perda de tempo!
O tempo, em geral, me irrita. Me irrita quando não passa, me irrita mais ainda quando passa rápido. Me irrita porque está fora do meu controle, me irrita porque evidencia, se mostra sempre presente. Me irrita porque, na maioria das vezes, se esquece de me avisar que está passando e que está me deixando para trás, esperando-o.
Injusta eu, que apenas critico este sujeito. O tempo é o melhor remédio para curar algumas dores, mais eficaz que um Prozac ou algo do tipo, como desilusões amorosas, por exemplo. Ele é a borracha que apaga as dores do coração, mas sem apagar as cicatrizes que os golpes deixaram.
O tempo atrapalha, o tempo prega peças, o tempo machuca, o tempo dói, o tempo esquece. O tempo é uma dádiva, o tempo é uma maldição. E, apesar de tudo, eu não consigo viver sem o tempo. E quero viver o tempo que me resta a estar viva.
Caramba Li!
ResponderExcluirRealmente, a inspiração quando vem, vem com tudo!
Gostei do seu post. É profundo e real.
O tempo é de muitas maneiras aliado e oponente.
E, como um imã, toda vez que temos um relógio por perto, adquirimos a irritante mania de observá-lo momento após o outro, na esperança de controlar o tempo, ou superá-lo.
O tempo pode nos frustrar muito.
O tempo é completamente vivo.
Ooown, que linda vc, Mimis *-*
ResponderExcluirObrigada e, sim o tempo é completamente vivo! *-*